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sábado, 20 de março de 2010

Nossos advogados



Dentro de nós habitam dois seres, um bom e outro mau.

Quero dizer, um lado que pensa em boas ações, e outro que não pensa muito, se é que vocês me entedem. Poderíamos denominá-los de várias maneiras: consciente e subconsciente, dia e noite, lado A e lado B (como os antigos discos de vinil), cão e gato, água e vinho, certo e errado, anjinho e diabinho e outros tantos. Porém, não é o nome que representa estes seres, e sim as características e os aspectos fundamentais para que eles entrem em ação, quando e como.

Por exemplo: se você achar uma mala de dinheiro no aeroporto, um fica dizendo: - vamos leva pra casa, deposita no primeiro banco.... Enquanto o outro humildemente diz: - É claro que você vai devolver, este dinheiro não é seu, e se for um pagamento de resgate? Somos sempre colocados á prova, e temos como conselheiros esses dois "advogados", que te fazem resolver as situações por você mesmo, no qual quem se ferra de qualquer forma é você!

Bom, como não sou deste planeta, descobri á um tempo que os meus "advogados" são diferentes. São eles: o bem capaz você ta louca! E o outro: azar não sou perfeita mesmo! Então esses dois tem trabalhado tanto, que parecem estressados um com outro, resolveram chamar há alguns meses um outro ser : o tanto faz! Bom, esse pobre coitado pra ele tudo éstá bom, desde que não se comprometa com nada, nem ninguém! Acho que vivi os últimos seis meses assim só ao lado do "tanto faz!

Era tanto faz pra lá, tanto faz pra cá. Mas esse final de semana os outros dois voltaram, e novamente começou o zumbido no ouvido:- Bem capaz você está louca! Ahhhhh azar eu não sou perfeita!! Um lado tentando me convencer que não sou louca, e outro me dizendo que não sou perfeita; na verdade me trouxeram novamente a vida, a escolhas, a dignidade.
Matei o "tanto faz" que estava me possuindo, e graças a esses dois seres que nos habitam voltei a acreditar que estou viva, e louca ou imperfeita (sei que sou os dois) vou me equilibrando, e volto a entender outra vez o milagre de estar vivo!
Grazi Maciel

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Segredos de Menina


Mais um Sábado, mais um texto de Grazi Canaam.
Queridas Argonautas, esse texto é para vocês!
Dica para o sucesso com os homens

Amigas, esse serviço que vou prestar á vocês é de utilidade pública e privada.

Por favor, amem os homens!! Não sei o nome da cadela que inventou a frase “OS HOMENS SÃO TODOS IGUAIS", mas eu prometo que se eu achar eu acabo com ela.(Calma não sou assassina).

Realize que todos os homens são iguais, escolha um e pronto leve para sua casinha e faça o que quiser com ele, depois serão felizes para sempre. Se alguém aqui quer ter sucesso (não só com homens, na vida também) parem de generalizar como se fosse uma plantação de arroz ou um canavial. Todos somos diferentes, por isso anime-se, se o pinto do seu namorado for pequeno, você tem a chance de encontrar um maior, Por quê? Os homens são todos diferentes!!

Assim como as mulheres, os cachorros, os vizinhos e segue-se uma lista. Jamais culpe todos os cachorros porque um te mordeu, seja um Pitt Bull, ou um Labrador; cada um é de um jeito. Bom, depois deste passo importantíssimo, acalme-se, que ansiedade tem tratamento, então vá se tratar ao invés de ficar do lado do telefone no domingo, culpando todos os homens do planeta.

Amiga, não queira ser a diferente, a bacana, a legal, ou a pior de todas a ESPECIAL, se algum homem te disser isso, pode ter certeza de que 90% de chance, ele vai ser apenas um grande amigo. Tenha uma conversa prazerosa, não precisa contar que você joga futebol, faz musculação, consegue abrir o vidro de Palmito, sabe fazer prateleiras, trocar o gás, assar churrasco, desentupir fossa e etc. Ah, também não diga (não num primeiro momento) que não tem medo de nada: barata, rato, assalto, filme de terror. Seja mais feminina, fale pouco amiga, escute ele falar. Não tire conclusões precipitadas, os colorados adoram vermelho, então não se assuste com a meia vermelha dele. Outra coisinha, a escritora Gisela Rao, aconselha a não dar a cestinha (transar) no primeiro encontro. Concordo com ela em partes. Se você gostou do cara, e ele de você, espere um próximo encontro, se o cara está afim ele espera na boa.

Caso você queira comer o cara, daí vá em frente (a “cestinha”, é sua. Seja feliz!). Pra finalizar, OS HOMENS NÃO SÃO TODOS IGUAIS, por tanto se você encontrar um imbecil, que não fala nada com nada, que se acha o bambambam, esqueça tudo que você leu até agora e chute o balde. Diz que tem três filhos, de três casamentos, que fuma charuto, que é campeã na sinuca, e odeia se depilar, no final do encontro se ele ainda pedir seu telefone, dê , o da Farmácia, vai que ele precise pode ser útil.

Beijos
Grazi Canaam

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Mais um que se foi


Hoje é dia de conferir mais um texto da nossa amiga gaúcha Grazi Maciel.


Escureceu o céu de anil. Perdi meu ego na tempestade de ontem a noite.

Desistiram de mim, do meu riso fácil das minhas sábias palavras, desistiram de me levar, de me ter, de me amar.

Me perdi no labirinto das seratoninas, dos anti-depressivos e até dos antiepiléticos. A louca aqui está sozinha.

Todos estão dormindo, sonhando com meu sorriso, em um ataque irônico, sarcástico, projetado por aqueles palhaços e seus cabelos sujos e seus cobertores imundos com seus pitacos de cigarros, novinhos recém largados ao chão.

Ele me esqueceu.

Na verdade escolheu deixar de lembrar. Fui uma escolha justa, igual á tantas outras, BURRA!
Preciso contar o que todos já sabem, já viram! Que vazio, que moleza, que falta de pressão. Estou me perguntando se abro a janela, ou se deixo o mundo escapar?!

Talvez seja melhor rezar, dormir ajoelhada, como fizeram os pagões.

Por que me quereis aqui? O que quereis de mim ainda?

Há de haver um belo repousar, uma chave que abre esse lugar, que me tire do castelo pra que eu possa respirar. Por enquanto reverêncio as noites de sábado onde passo a bailar.

Obrigada por não roubar isso de mim.

Boemia, ninharia, esperança minha: aqui me tens de regresso!
E as lágrimas, por gentileza que se acomodem na chapelaria.
Grazi Maciel

sábado, 30 de janeiro de 2010

Herança



Caros Argonautas,

A partir de hoje, mais uma colunista estreia aqui no Blog do Argônio.
A Grazi Maciel, gaúcha de Porto Alegre, vem para dar mais brilho a este espaço. Divertida, inteligente e sempre criativa, ela pode ser seguida no Twitter pelo codinome @grazicanaam.


O que me ficou de meu pai?

Meu jeito, que é o dele: minha cor em contraste com a minha mãe, com seus olhos claros.
Ficou meu jeito de colocar as mãos na cintura quando tenho que resolver algo rápido, como trocar um móvel de lugar, ou consertar a geladeira. Ficou a salada, não havia refeição sem ela. Ficou meu horror ao cigarro e a mentira, e minha pouca resistência à bebida. Ficou meu gosto pelos livros, mas confesso que no início preferia os gibis. Ficou o gosto por escrever, ah esse eu tenho dele. Ele foi poeta quando moço, devorava sua sede cultura, se sentia mais realizado lendo um livro. Talvez ali buscasse tudo que sonhara ser.

Eu não sou médica, não sou advogada, nem professora. Sou uma pequena célula, perto do que ele foi. Pois ele sempre foi muita coisa. Ele foi justo e injusto, foi amoroso e rude, foi o pai mais babão e o mais rigoroso. Ensinou-me a andar de bicicleta, me viu cair, me viu levantar e em nenhum momento me julgou.

Ele se foi cedo demais. E agora o que ficou? O conselho que não posso pedir. As brigas que a gente não vai ter. Nas brigas das quais a gente iria se unir contra alguém, sei lá quando eu teria razão ou minha irmã. Ou ele sempre com seu olhar afetuoso sobre minha mãe. Ele a amava tanto. E se pareciam tanto de tanto que eram diferentes.

O que ficou dele? Nenhuma imagem gravada. Uma fita cassete que talvez não rode mais. Algumas fotos. Os poemas que escreveu quando moço. É ruim ter que ficar com aquelas imagens mais recentes: magrinho cabelo ralinho, mas completamente culto, ainda o mais sábio dos homens, que mesmo nas tardes de visita no Hospital, ele sabia mais notícias do que qualquer um.
Só não gosto de falar nos últimos três meses desde a doença dele. Tudo o que viveu, tão dependente, tão frágil, indefeso, era o oposto de quem ele foi quando sadio. Meu pai ria, brincava, gritava. Meu pai era cheio de vida e virou um bebê grande, de quem a família cuidou com todo carinho e respeito. Respeito, porque mesmo em cima de uma cama, mesmo com muita dor, ele ainda era o pai, o marido, o dono da casa. De voz forte, alta, tomando café pequeno e dando sustos na gente. Menino grande meu pai. Menino grande, que morreu de repente, sem envelhecer. Menino grande meu pai, de quem lembro o tempo todo, parece que vejo ainda com as bolinhas de gude na mão me ensinando a jogar com aquela paciência infinita. Menino grande, de coração grande, capaz de muito amor, muita tristeza, muita alegria muito segredo. Menino grande de quem eu lembro o tempo todo, e por quem eu chorei pouco, se compara o choro à saudade entalada na garganta.

Grazi Maciel