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sexta-feira, 12 de março de 2010

Filosofia Já!


Muito se discute sobre a utilidade e funcionalidade da Filosofia. Enquanto alguns não podem nem escutar em falar sobre discutir visões filosóficas, outros insistem em dizer que Filosofia é coisa de teóricos desocupados e que não serve para nada.
Recomendo a leitura da Revista Cult, edição 143. Nela, uma sequência de artigos sobre a funcionalidade da Filosofia é esclarecedora.
Destaco uma passagem do artigo de Juvenal Savian Filho, quando ele destaca um trecho do texto de Boécio (filósofo da época do fim do Império Romano) e que retrata a Filosofia como sendo uma mulher:
"Apareceu-me uma mulher, acima de meu olhar. Seu aspecto era venerável; seus olhos, repletos de fogo, mais penetrantes do que podem ser os olhares humanos. (...)
Suas vestes era confeccionadas de fios muitos finos, trabalho delicado, matéria indestrutível; fora ela mesma quem as tecera. Podia-se ler, bordada na franja inferior, a letra grega Pi; e, no alto, um Theta. Entre essas duas letras, via-se como uma escada, com degraus que levavam da letra inferior à superior. Entretanto, sua indumentária havia sido rasgada por mãos brutais, que lhe arrancaram tantos pedaços quantos foi possível arrancar."

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Blogueando no Café Filosófico


Os Argonautas que por aqui passam de vez em quando, já devem ter percebido a admiração que sinto pelo sociólogo polonês Zygmutn Bauman.
Some-se a isso um programa de TV bem pensado e editado, como o Café Filosófico (raridade nos dias de hoje e exibido pela TV Cultura).
Garimpei no blog do Café uma entrevista com o o professor Luiz Felipe Pondé, na qual ele analisa o mundo pós-moderno e a interpretação de Bauman sobre o assunto.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Fuga da realidade

A sociedade hipermoderna é caracterizada pela busca obsessiva pelo consumo e pela satisfação. Com o relógio como o seu pior inimigo, o ser humano fica cada vez mais acuado e as rotas de fuga são cada vez mais utilizadas.
Drogas, álcool, novos empregos e novas famílias são cada vez mais comum na vida atual.

Joseph Brodsky, um filósofo russo-americano disse:

“Vocês ficarão entediados com seu trabalho, seus cônjuges, seus amantes, com a vista de sua janela, a mobília ou o papel de parede do seu quarto, seus pensamentos, com vocês mesmos. Por conseguinte, tentarão imaginar maneiras de fugir. Além dos dispositivos de auto-satisfação mencionados anteriormente, vocês podem assumir novos empregos, residências, empresas, países, climas, podem assumir a promiscuidade, o álcool, viagens, aulas de culinária, drogas, psicanálise... Na verdade, podem juntar tudo isso, e por algum tempo vai parecer que está funcionando. Até o dia, é claro, em que você acorda no seu quarto em meio a uma nova família e outro papel de parede, num estado e num clima diferentes, com uma pilha de contas do agente de viagens e do psicanalista, mas com o mesmo sentimento de fastio em relação à luz do dia que se infiltra pela janela.”
Imagem clara do cachorro correndo atrás do próprio rabo.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Rancière e a mídia

Em uma excelente entrevista concedida à revista Cult, o filósofo francês Jacques Rancière não se furta de comentar sobre uma infinidade de assuntos começando com política e passando pelo papel da mídia na sociedade contemporânea.

O autor de O espectador emancipado, comenta sobre os mais diversos olhares de espectadores nas mais diversas obras de artes e meios de comunicação. Contudo, deixa de fora o espectador de televisão. Questionado sobre o motivo de deixar de fora a TV, Rancière afirma:

" Há casos em que o espectador está na frente da TV mudando de canal sem prestar atenção ao que está vendo. Eu me preocupei mais com o cinema, as artes plásticas, nos quais uma relação forte do olhar está pressuposta. A TV, de modo geral, não pressupõe um olhar forte, mas um olhar ALIENADO ou DISTRAÍDO."

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Materialização do amor



O mundo se vê atrás da corrida pelo ouro. Pessoas neuróticas pelo emprego, que não se permitem a uma folga, achando que se der brecha, perderá para uma concorrência cada vez mais ferrenha.
E.mails corporativos passados aos domingos e de madrugada são cada vez mais comuns, o que mostra o quanto as pessoas não consegue se desconectar da realidade e não se permite a uma folga que seja.
Este fenômeno deu origem ao que a socióloga Arlie Russell Hochschild chama de MATERIALIZAÇÃO DO AMOR. Para ela, tentando compensar o tempo em que não se é dedicado para a família, o sujeito tenta de todas as formas compensar. E uma das maneiras mais práticas é a compra de mercadorias para suprir esta ausência.
Segundo Hochschild:
“O consumismo atua para manter a reversão emocional do trabalho e da família. Expostos a um bombardeio contínuo de anúncios graças a uma média diária de três horas de televisão (metade de todo o seu tempo de lazer), os trabalhadores são persuadidos a “precisar” de mais coisas. Para comprar aquilo de que agora necessitam, precisam de dinheiro. Para ganhar dinheiro, aumentam sua jornada de trabalho. Estando fora de casa por tantas horas, compensam sua ausência do lar com presentes que custam dinheiro. Materializam o amor. E assim continua o ciclo.”
E então? O que você pretende para a sua vida? Se esgotar através de trabalhos ou tentar levar uma vida mais saudável perto das pessoas que realmente importam?

sábado, 7 de novembro de 2009

Vidas para consumo


"Compro, logo sou."
Com a frase emblemática acima, inspirada na máxima proferida por René Descarte, Zygmunt Bauman define com precisão a sociedade atual. Passamos de uma fase em que a sociedade era definida pela produção e entramos na era da sociedade de consumo.
Além do fato de consumir qualquer coisa, a qualquer custo, os seres humanos passam a ser encarados como verdadeiras mercadorias. Estamos sempre em busca de nos tornar um "melhor produto" para se vender ao próximo. Seja no emprego, na família ou nos relacionamentos amorosos.
O livro Vidas para consumo é um alerta escrito por Bauman, para pensarmos a sociedade atual. Como queremos levar nossas vidas? Quais efeitos o consumo tem sobre todos nós?
Pode o consumo ser considerado uma condição sine qua non para sermos felizes?
Uma leitura recomendada a todos, independente da área de atuação. Linguagem simples e que apresenta claramente todo o pensamento de Bauman, um dos maiores teóricos da atualidade.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Neobovarismo e a fuga

A filósofa Márcia Tiburi cunhou o interessante termo Neobovarismo.
Baseado na história de Gustave Flaubert, Madame Bovary, no qual a protagonista da história insatisfeita com a sua vida, busca uma fuga nos livros e se ilude com a possibilidade de ser outra pessoa e fugir do seu mundo real.
O fim do romance é trágico e Madame Bovary acaba por cometer o suicídio.

Baseado nesta história, a gaúcha Márcia Tiburi define o neobovarismo como a atual e incessante busca das pessoas, com o auxílio das mídias eletrônicas, principalmente a internet, de cunhar "avatares" e novas personalidades para cada um.

Para ela, a "internet não é mais o lugar de 'representações', uma categoria que servia para explicar tanto a política quanto a estética. Ela é o lugar de 'simulações' ".

domingo, 14 de junho de 2009

O mundo de Sofia


Jostein Gaarder é um filósofo norueguês que lecionava aos seus alunos tranquilamente. Um dia teve uma brilhante idéia. Por que não popularizar a Filosofia? Por que não levar este assunto, um tanto complexo ao público, de maneira leve e descontraída? Começou então a escrever O Mundo de Sofia. Com isso, sua vida sofreu uma reviravolta. Com milhões de exemplares vendidos ao redor do mundo, publicado em uma grande quantidade de idiomas, Gaarder ficou milionário e conseguiu o que parecia impossível, popularizar a Filosofia.
O Mundo de Sofia nos conta a história da adolescente Sofia Amundsen, que nas vésperas de completar quinze anos, começa a receber estranhas correspondências anônimas. Todos os bilhetes contêm perguntas de fundos filosóficos e fazem com que a protagonista percorra toda a História da Filosofia, desde os tempos pré-socráticos até chegar aos filósofos pós-modernos.
Com um ritmo ágil e com suspense, Gaarder consegue fazer com que o leitor passe por diversos temas da Filosofia de maneira leve e divertida, sem se tornar aborrecido.
Um brilhante livro e indispensável para quem quer se iniciar na Filosofia ou mesmo aprender questões novas.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Assim falou Zaratustra


Friedrich Wilhelm Nietzsche, nascido em 15 de outubro de 1844 em uma pequena cidade alemã (Röcken), se tornou um dos maiores filósofos e pensadores da humanidade. Criado em uma família de religiosos protestantes, Nietzsche, quando pequeno, ainda pensou em se tornar um pastor e seguir o destino de seus avós. Porém, com o passar do tempo e após muito estudar, Nietzsche começou a rever os seus conceitos e enveredou pela área do estudo da natureza humana e da filosofia.
Com idéias polêmicas, o filósofo alemão deixou um legado enorme, com diversos livros e manuscritos que apresentam pontos de vistas até então inusitados para as principais dúvidas e dilemas do ser humano.
Assim falou Zaratustra é considerada a principal obra de Nietzsche e até os dias de hoje é comentada, estudada e venerada por legiões de filósofos, psicólogos e estudiosos. Com a frase clássica (“Deus morreu! É a vez do homem, melhor, do super-homem!”) ele nos leva pelo mundo de suas idéias e nos apresenta uma a uma, através da visão de Zaratustra, filósofo que vive recluso e que um dia resolve descer à sociedade e levar seus conhecimentos a todos.
Um livro de difícil leitura, mas que com certeza vai fazer o leitor refletir em uma séries de conceitos e dogmas instaurados e levar um pouco de luz em questões ainda obscuras nos dias de hoje. Leitura indispensável para os amantes da Filosofia e dos estudiosos da natureza humana.