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quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Blogueando no Ponte Sobre o Abismo

Blogueando nos blogs amigos, encontrei esta passagem no Ponte sobre o Abismo, do mestre Wilson Oliveira.

Cortázar e os escribas

"Como os escribas continuarão, os poucos leitores que no mundo havia vão mudar de profissão e adotar também a de escriba. Cada vez mais os países serão compostos por escribas e por fábricas de papel e tinta, os escribas de dia e as máquinas de noite para imprimir o trabalho dos escribas. Primeiro, as bibliotecas transbordarão para fora das casas; então, as prefeituras resolvem (já estamos vendo tudo) sacrificar as áreas de recreação infantil para ampliar as bibliotecas. Depois sucumbem os teatros, as maternidades, os matadouros, as cantinas, os hospitais. (...) os escribas trabalham sem trégua porque a humanidade respeita as vocações e os impressos já chegam à beira do mar"

sábado, 2 de maio de 2009

Blogueando II





Dando continuação ao post Blogueando, retiro o texto a seguir do excelente blog Ponte sobre o Abismo, do jornalista, músico, mestre e polivalente Wilson Oliveira.


Pausa para reflexão dos valores que nos são passado diariamente pelos meios de comunicação de massa.



Christine (Para muitos, dos maus...)



"Para poucos e maus" é o slogan de uma campanha publicitária de um veículo que ronda a cidade... Em tempos mais que hiperestimulados, hiperconectados, lembrar Adorno e Horkheimer para refletir o quão perigosa é uma campanha como essa é tarefa de quem ainda se assusta.


"Os detalhes tornam-se fungíveis. A breve sequência de intervalos, fácil de memorizar, como mostrou a canção de sucesso; o fracasso temporário do herói, que ele sabe suportar como good sport que é; a boa palmada que a namorada recebe da mão forte do astro; sua rude reserva em face da herdeira mimada são, como todos os detalhes, clichés prontos para serem empregados arbitrariamente aqui e ali e completamente definidos pela finalidade que lhes cabe no esquema. Confirmá-lo, compondo-o, eis aí sua razão de ser" (Max Horkheimer e Theodor Adorno (1985). Dialética do Esclarecimento. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, p118)


A publicidade preocupada com a liberação que os novos meios trazem, segmenta seu discurso com os moldes da Indústria Cultural. Termo ainda indispensável para se analisar o contemporâneo, essa pérola aos poucos (e maus) ainda faz a cabeça de muitos... Sem carro, sem maldade e em meio aos muitos outros que me habitam acho que essa campanha segue a velha lógica da mídia de massa, falar [mal falar] pra muitos. E o cinema tão criticado por Adorno, já nos mostrou o que pode essas máquinas andantes...