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quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Preparativos de Carnaval


Fim de ano e os preparativos para o Carnaval 2010 começam a tomar forma.
Samba-enredos escolhidos, barracões a todo vapor e as comunidades apertando o ritmo dos ensaios.

Para quem me conhece pouco, deve estranhar um amante do bom e velho rock e heavy metal estar falando de carnaval. Contudo, este é um traço de minha personalidade. Sou eclético. Gosto sim, de samba enredo (não confundir com pagodes e afins).

Além disso, gosto particularmente daquelas escolas de samba que homenageam grandes personalidades do país. Neste quesito, incluo e dou os parabéns à Vila Isabel e ao Império Serrano. A escola de Madureira irá homenagear João do Rio (clique aqui e conheça um pouco mais sobre ele), enquanto a tradicional azul e branco da Vila, irá cantar em versos o seu maior expoente: Noel Rosa.

Por falar em Vila Isabel, o samba enredo composto por Martinho da Vila é um primor e já entrou para o rol dos melhores sambas dos últimos tempos. Cara de samba, letra de samba e cadência de samba...
Veja a letra e clique aqui para escutar o samba.
Compositor: Martinho da Vila
Intérprete: Wantuir
Se um dia na orgia me chamassem
Com saudades perguntassem
Por onde anda Noel?
Com toda minha fé responderia
Vaga na noite e no dia
Vive na terra e no céu
Seu sambas muito curti
Com a cabeça ao léu
Sua presença senti
No ar de Vila Isabel
Com o sedutor não bebi
Nem fui com ele ao bordel
Mas sei que está presente
Com a gente nesse laurel
Veio ao planeta com os auspícios de um cometa
Naquele ano da revolta da chibata
A sua vida foi de notas musicais
Seus lindos sambas animavam carnavais
Brincava em blocos com boêmios e mulatas
Subia morros sem preconceito sociais
Foi um grande chororô
Quando o gênio descansou
Todo o samba lamentou ô ô ô
Que enorme dissabor
Foi-se o nosso professor
A Lindaura soluçou
E a dama do cabaré não dançou
Fez a passagem pro espaço sideral
Mas está vivo neste nosso carnaval
Também presentes Cartola
E o Bando dos Tangarás
Lamartine, Ismael, Aracy e outros mais
E a fantasia que se usa
Pra sambar com o menestrel
Tem a energia da nossa Vila Isabel

terça-feira, 23 de junho de 2009

Statu Quo


Statu quo é definido segundo o site Wikipedia como sendo uma "expressão latina que designa o estado atual das coisas, seja em que momento for. Emprega-se esta expressão, geralmente, para definir o estado de coisas ou situações."

Agora leia a passagem abaixo:

"O problema social não tem razão de ser aqui? Os senhores não sabem que este país é rico, mas que se morre de fome? É mais fácil estourar um trabalhador do que um larápio? O capital está nas mãos de grupo restrito e há gente demais absolutamente sem trabalho. Não acredite que nos baste o discurso de alguns senhores que querem ser deputados."

Analisando a frase e a situação descrita, tente adivinhar quando a mesma foi escrita.
O texto foi retirado do livro A alma encantadora das ruas, escrito por João do Rio, no início do século XX.
Impressionante como as coisas não mudam ou como o statu quo é mantido por tanto tempo.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

João do Rio - Uma antologia


Atualmente poucas pessoas conhecem João do Rio. Ele foi um dos principais jornalistas e cronistas do começo do século XX.
Nascido João Paulo Alberto Coelho Barreto em 1881, iniciou-se no jornalismo aos 17 anos. Alcançou destaque em 1900 ao publicar uma série de reportagens na Gazeta de Notícias.
Em 1910, com somente 29 anos, foi eleito para a Academia Brasileira de Letras. Como tudo em sua precoce vida, João do Rio morreu antes dos quarenta anos.
Neste livro, Luís Martins, um estudioso da vida de João do Rio, nos trás uma coletânea com contos e trechos de crônicas deste brilhante repórter.
São textos que nos trazem todo o retrato da cidade do Rio de Janeiro em plena transformação no começo do século XX. Interessante mistura de lugares e classes, que nos mostra como o repórter transitava entre classes altas, até morros e becos escuros.
Um livro surpreendente e uma excelente oportunidade de conhecer um pouco mais sobre o Rio Antigo.
Vale uma olhada mais detalhada em O charuto das Filipinas, que nos trás uma crítica bem humorada sobre a profissão de jornalista e o descaso que era encarada na época. E principalmente em A pressa de acabar, estupendo trecho retirado do livro Cinematógrafo e que se mostra muitíssimo atual, destacando a correria da “vida moderna”.