quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Feliz 2010!

Queridos Argonautas!

Último post do ano. Nada de falar de política, mídia, literatura, cinema e tantos outros assuntos que por aqui são discutidos e debatidos.

Em primeiro lugar gostaria de agradecer pelo apoio recebido e pelos novos amigos formados aqui pelo espaço virtual (Carol Sakurá, Adriano, Sofie, Daniel Sávio e tantos outros).

O Blog do Argônio começou como um espaço no qual eu pudesse comentar sobre os mais diversos assuntos. Neste ano de 2009, o segundo de sua existência, mostrou que o Argônio tornou muito mais do que isso. Transformou-se em um espaço público virtual e dessa maneira, pudemos debater, refletir e nos divertir.

Que o ano de 2010 seja repleto de realização, saúde e sucesso para todos nós!
E que todos os Argonautas possam continuar marcando presença aqui nesse espaço que pertence a todos nós.

Feliz 2010!!!!

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Maracanã estrelado


Final de ano, época de tradições que não devem ser quebradas. Natal em família, pernil, rabanadas, presentes e... Jogo das Estrelas.

Sim. Na época de repensar o que foi o ano que se encerra e projetar o que virá, nada melhor do que reunir a família e acompanhar de perto o maior jogador rubro-negro de todos os tempos: ZICO!

Se ele estiver acompanhado do Gênio da grande área (Romário), Imperador (Adriano) e muitos outros craques (Júnior, Andrade, Adílio etc.), muito melhor.

Assim sendo, compareci novamente ao espetáculo. Maracanã lotado com mais de 72 mil pessoas (um dos dez maiores públicos do campeonato brasileiro), festa, calor, sol e ZICO!

O Rei continua aprontado das suas. Ainda que sem a mesma forma física e a idade teimando em mostrar seus sinais, ZICO continua desfilando sua genialidade e sua classe pelo gramado do seu maior palco. Maracanã combina com ZICO e vice-versa.

Agradeço sempre a Deus por tê-lo visto em atividade e agradeço as oportunidades anuais de estar um pouco mais perto e poder aproveitar o baile de gala.

Para quem nunca foi, não deixe de comparecer no ano que vem. Além de ajudar ao próximo (a renda é revertida para ações sociais), terá a oportunidade de acompanhar o verdadeiro futebol-arte, deixado um pouco de lado nessa competitividade e profissionalismo de hoje em dia.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Coluna da Rouge-Poetizando 2010


Olá,Argonautas!

É com muita alegria que estamos finalizando o dezembro literário na coluna da Rouge.
Com as proximidades do final de ano,não podemos deixar de refletir e agradecer sobre o que passou de bom e plantar as flores de 2010.
Agradeço ao amigo Léo Lagden pelo convite a esta pequena Rouge para escrever neste blog,que na verdade é um universo argônico,e a cada um de vocês leitores que participaram com deliciosos comentários.
Fechando com chave de ouro o ano de 2009, o poeta predileto,amado,querido,(ai..ai) desta escriba:Mário Quintana.

Nasci em Alegrete, em 30 de julho de 1906. Creio que foi a principal coisa que me aconteceu. E agora pedem-me que fale sobre mim mesmo. Bem! Eu sempre achei que toda confissão não transfigurada pela arte é indecente. Minha vida está nos meus poemas, meus poemas são eu mesmo, nunca escrevi uma vírgula que não fosse uma confissão. Ah! mas o que querem são detalhes, cruezas, fofocas... Aí vai! Estou com 78 anos, mas sem idade. Idades só há duas: ou se está vivo ou morto. Neste último caso é idade demais, pois foi-nos prometida a Eternidade.
(Mário Quintana por ele mesmo)


DATA E DEDICATÓRIA

Teus poemas, não os dates nunca... Um poema
Não pertence ao Tempo... Em seu país estranho,
Se existe hora, é sempre a hora estrema
Quando o anjo Azrael nos estende ao sedento
Lábio o cálice inextinguível...
Um poema é de sempre, Poeta:
O que tu fazes hoje é o mesmo poema
Que fizeste em menino,
É o mesmo que,
Depois que tu te fores,
Alguém lerá baixinho e comovidamente,
A vivê-lo de novo...
A esse alguém,
Que talvez ainda nem tenha nascido,
Dedica, pois, os teus poemas.
Não os dates, porém:
As almas não entendem disso...



Mário Quintana

Do livro: "Baú de Espantos", 4ª ed., Editora Globo, SP



Poetize...poetize...poetize!

Um feliz 2010 a todos!

Beijos!

Rouge Cerise

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Apelo às trevas

Alçado ao estrelato após ter tido seu maior sucesso (Sobre meninos e lobos) filmado por Clint Eastwood, Dennis Lehane teve vários de seus livros anteriores publicados no Brasil.
Lehane nasceu em um subúrbio pobre de Boston, mais precisamente em Dorchester. A maioria de suas obras são ambientadas neste local, o qual ele conhece como ninguém e por isso expõe todos os problemas que atormentam o local.
Apelo às trevas é o segundo livro do escritor protagonizada pela dupla de detetives particulares Angela Gennaro e Patrick Kenzie, que apareceram pela primeira vez em Um drink antes da guerra.
Neste romance, Kenzie e Angie são contratados por uma psiquiatra de Boston, que passa a ser ameaçada sem aparente motivo. Começa então uma intrincada investigação, que levam a dupla de detetives a se envolverem com misteriosos assassinatos. Ao final da aventura, a vida dois nunca mais será a mesma.
Com seus estilo de narrativa veloz e empolgante, Lehane se firmou como o mais influente escritor policial da atualidade.

domingo, 27 de dezembro de 2009

Argônio Awards 2009


Final de ano e é chegada a hora de conhecer os melhores do ano em algumas áreas.
Sem muito papo, vamos para os eleitos do Argônio:
Livro: Uma gota de sangue - Demétrio Magnoli
Seleção do campeonato brasileiro: Vitor (Grêmio), Jonathan (Cruzeiro), Álvaro (Flamengo), Réver (Grêmio), Júlio César (Goiás), Maldonado (Flamengo), Léo Gago (Avaí), Petkovic (Flamengo), Conca (Fluminense), Adriano (Flamengo) e Diego Tardelli (Atlético MG).
Técnico: Andrade (Flamengo)
Aguardo a opinião dos caros Argonautas, inclusive em outras categorias.
Conforme forem aparecendo novas categorias, coloco a minha opinião nos comentários.

sábado, 26 de dezembro de 2009

Democracia em risco


A democracia tão consolidade no mundo de hoje em dia, não encontra muitos opositores. Tirando um país aqui ou acolá, todos concordam com sua importância para o mundo globalizado.
O que as pessoas não percebem é que a falta de engajamento ou envolvimento político pode acabar afetando a estabilidade das democracias.
Veja o que pensa sobre o assunto os teóricos Henry Giroux e Susan Giroux sobre esse assunto:
"A democracia está em perigo quando os indivíduos são incapazes de traduzir sua miséria privada em preocupações e ação coletiva. Como as corporações multinacionais moldam cada vez mais os conteúdos da maior parte da grande mídia, privatizando o espaço público, o engajamento cívico parece cada vez mais impotente e os valores públicos se tornam invisíveis. Para muitas pessoas hoje em dia, a cidadania foi reduzida ao ato de comprar e vender mercadorias (incluindo candidatos), em vez de aumentar o escopo de suas liberdades e direitos a fim de ampliar as operações de uma democracia substancial."
Pare para pensar e avalie a sua participação na vida política do país.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Natal Argônico


Pare!
Dispa-se das tradições. Esqueça os rituais. Não dê bola para o consumo.
Não se entregue ao "espírito natalino" apresentado e alimentado pela grande mídia.
Não espere o Papai Noel e seus significados mundanos.
Agora pense no real significado do Natal.
Pense no bem que podemos fazer e que, às vezes, fica em segundo plano.
Interiorize o verdadeiro significado desta data!
Agore comemore o Natal com aqueles que você ama e que todos possam ter a verdadeira paz de espírito.
Feliz Natal!

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Preparativos de Carnaval


Fim de ano e os preparativos para o Carnaval 2010 começam a tomar forma.
Samba-enredos escolhidos, barracões a todo vapor e as comunidades apertando o ritmo dos ensaios.

Para quem me conhece pouco, deve estranhar um amante do bom e velho rock e heavy metal estar falando de carnaval. Contudo, este é um traço de minha personalidade. Sou eclético. Gosto sim, de samba enredo (não confundir com pagodes e afins).

Além disso, gosto particularmente daquelas escolas de samba que homenageam grandes personalidades do país. Neste quesito, incluo e dou os parabéns à Vila Isabel e ao Império Serrano. A escola de Madureira irá homenagear João do Rio (clique aqui e conheça um pouco mais sobre ele), enquanto a tradicional azul e branco da Vila, irá cantar em versos o seu maior expoente: Noel Rosa.

Por falar em Vila Isabel, o samba enredo composto por Martinho da Vila é um primor e já entrou para o rol dos melhores sambas dos últimos tempos. Cara de samba, letra de samba e cadência de samba...
Veja a letra e clique aqui para escutar o samba.
Compositor: Martinho da Vila
Intérprete: Wantuir
Se um dia na orgia me chamassem
Com saudades perguntassem
Por onde anda Noel?
Com toda minha fé responderia
Vaga na noite e no dia
Vive na terra e no céu
Seu sambas muito curti
Com a cabeça ao léu
Sua presença senti
No ar de Vila Isabel
Com o sedutor não bebi
Nem fui com ele ao bordel
Mas sei que está presente
Com a gente nesse laurel
Veio ao planeta com os auspícios de um cometa
Naquele ano da revolta da chibata
A sua vida foi de notas musicais
Seus lindos sambas animavam carnavais
Brincava em blocos com boêmios e mulatas
Subia morros sem preconceito sociais
Foi um grande chororô
Quando o gênio descansou
Todo o samba lamentou ô ô ô
Que enorme dissabor
Foi-se o nosso professor
A Lindaura soluçou
E a dama do cabaré não dançou
Fez a passagem pro espaço sideral
Mas está vivo neste nosso carnaval
Também presentes Cartola
E o Bando dos Tangarás
Lamartine, Ismael, Aracy e outros mais
E a fantasia que se usa
Pra sambar com o menestrel
Tem a energia da nossa Vila Isabel

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

COLUNA DA ROUGE--CELEBRAÇÃO DO AMOR


Olá!

Com a proximidade da celebração do Natal,nosso corações ficam mais quebrantados e consequentemente somos levados a reflexão sobre o amor e a comunhão.

O pensamento é uma dádiva,sendo assim,nessa campanha de dezembro literário apresento o teólogo e filósofo,um dos prediletos desta humilde escriba:

Santo Agostinho

"Como pode alegrar-se convenientemente quem não ama o bem de onde procede a alegria? Como se pode ter verdadeira paz, senão com aquele a quem, verdadeiramente se ama? Como se pode perseverar no bem com longanimidade se não se ama com intensidade? Quem pode ser benigno se não ama aquela a quem corre? Quem pode ser bom se não se torna bem pela prática do amor? Quem pode ter uma fé efetiva se a caridade não faz que a mesma se acompanhe de obras? Quem pode ser utilmente manso, se o amor não moderar a ira? Quem pode conter-se e não praticar a torpeza se a caridade não o levar a amar a honestidade?

Razão tinha o bem Mestre para encarecer tanto a caridade como se fosse o seu único mandamento. Sem a caridade os outros bens não são proveitosos. Mas a caridade, por sua vez, não pode existir sem os outros bens, pelos quais o homem se torna bom."


COMENTÁRIO AO EVANGELHO DE SÃO JOÃO(P.L. 3, 1851-1853)/Santo Agostinho

Que neste Natal possamos desfrutar o presente simples,mas eterno.Aquele que só pode existir quando é compartilhado,o AMOR.
Para exercer o amor,que tal doar um livro?

Um Feliz Natal a todos!

p.s:Em especial,desejo um lindo natal ao amigo Léo Lagden e família.Obrigada por partilhar o presente da amizade!

Abraços!

Rouge Cerise

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Stupid White Men – Uma Nação de Idiotas


“Faço não ficção em um país que numa eleição fictícia elegeu um presidente fictício que nos mandou pra uma guerra fictícia. Tenha vergonha, Mr. Bush.”. Com esse discurso em cadeia mundial, Michael Moore recebeu o Oscar de melhor documentário por Tiros em Columbine, no ano de 2002.
Michael Moore é um escritor e roteirista americano que sempre investiu na polêmica em sua carreira. Nascido e criado em um bairro pobre, sempre foi uma voz a se levantar contra a corrida armamentista e os altos índices de desemprego em seu país.
Após a primeira vitória de George W. Bush a presidência dos Estados Unidos, Moore voltou seu “arsenal” para a Casa Branca.
Em Stupid White Men, Moore levanta dados e suspeitas em relação a uma possível fraude nas eleições americanas. Enumera quem é quem nos principais cargos do alto escalão e denuncia o descaso como são tratados os pobres e desempregados.
Este principal crítico do governo americano virou um sucesso literário ao ter atingido a marca impressionante de mais de 6 milhões de livros vendidos.
Este livro foi escrito às vésperas dos atentados terroristas em 11 de setembro. Curiosamente tinha sua data de lançamento marcado para o dia dos ataques das torres gêmeas. Foi adiado e sua editora queria que fosse revistas partes que consideravam ofensivas para o país, após os acontecimentos. Como se recusou, Moore entrou em uma batalha e conseguiu ver seu livro ser lançado na íntegra em fevereiro de 2002.
Alguns trechos deste livro foram usados como fonte para o documentário Fahrenheit 9/11.
Uma boa oportunidade para se conhecer a fundo a história do gigante americano e desmistificar a super potência. Tomamos contato com histórias de corrupção, desemprego, descaso com a população e outras mazelas típicas de Terceiro Mundo.

domingo, 20 de dezembro de 2009

Blogueando no Blog do Ozaí

Dando aquela navegada para descobrir e ler sobre assuntos interessantes, encontrei o texto do professor Antônio Ozaí do Silva, que mantém o excelente Blog do Ozaí (link ao lado, nos blogs preferidos).

A reflexão sobre Mídia e Corpo é excelente e vale a pena dar uma lida.

Destaco o começo do artigo, mas confira na íntegra clicando no link ao final do post:

"Em que medida a mídia influencia a nossa concepção sobre o corpo? É difícil responder com absoluta segurança. Até porque a relação não é de via única. Devemos também considerar que o receptor da mensagem veiculada pela grande mídia não é um ser acéfalo e reduzido à passividade. "

Clique aqui e leia o artigo na íntegra.

sábado, 19 de dezembro de 2009

Doce ou travessura






Doce ou travessura?
Halloween atrasado
Ele quer travessura
Ela insiste em ser doce


Ele sai para o almoço
Entra em cena a tigresa
Ele quer um doce
Ela insiste em travessura


Volta para a sala
Calor insuportável
Ele quer travessura
Ela insiste em ser travessa


Abre os olhos
Finalmente os desejos se equivalem
Doce e travessura
Em um só momento

(Marquês de Sórdido)

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Blogueando no Saindo da Matrix


Como os Argonautas que voltam aqui periodicamente sabem, gosto muito de passear pelas infovias da comunicação (conhecida como internet) e garimpar o que rola de interessante, principalmente pela Blogosfera.
Com o intuito de apresentar as boas idéias e bons textos encontrados, criei a série Blogueando. Através dela, posso transmitir a quem frequenta esse espaço o que considero de mais interessante que está sendo postado diariamente.

Tem um blog que sigo e acho muito interessante que é o Saindo da Matrix.

Encontrei nele uma resenha sobre o filme Distrito 9, que vale a pena dar uma lida.

Clique aqui para ler a resenha do Saindo da Matrix.

Clique aqui para ler a resenha que postei no Blog do Argônio sobre o mesmo filme.

Clique aqui para conhecer a série Blogueando.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Blogueando no Café Filosófico


Os Argonautas que por aqui passam de vez em quando, já devem ter percebido a admiração que sinto pelo sociólogo polonês Zygmutn Bauman.
Some-se a isso um programa de TV bem pensado e editado, como o Café Filosófico (raridade nos dias de hoje e exibido pela TV Cultura).
Garimpei no blog do Café uma entrevista com o o professor Luiz Felipe Pondé, na qual ele analisa o mundo pós-moderno e a interpretação de Bauman sobre o assunto.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Calvino e as cidades perdidas


Pensando um pouco sobre o modo de vida moderno, percebemos o quanto as pessoas tendem a sentir um vazio e um certo desconforto com o desenrolar de suas vidas.
Parece que nada nos basta e que sempre falta algo para conquistarmos.
Lembrei-me de um trecho do livro de Ítalo Calvino, que reproduzo abaixo:
AS CIDADES E AS TROCAS
Ao entrar no território que tem Eutrópia como capital, o viajante não vê uma das muitas cidades, todas do mesmo ta­manho e não dessemelhantes entre si, espalhadas por um vasto e ondulado planalto. Eutrópia não é apenas uma dessas cida­des mas todas juntas; somente uma é habitada, as outras são desertas; e isso se dá por turnos.
Explico de que maneira. No dia em que os habitantes de Eutrópia se sentem acometidos pelo tédio e ninguém mais suporta o próprio trabalho, os pa­rentes, a casa e a rua, os débitos, as pessoas que devem cum­primentar ou que os cumprimentam, nesse momento todos os cidadãos decidem deslocar-se para a cidade vizinha que está ali à espera, vazia e como se fosse nova, onde cada um esco­lherá um outro trabalho, uma outra mulher, verá outras paisa­gens ao abrir as janelas, passará as noites com outros passa­tempos amizades impropérios.
Assim as suas vidas se renovam de mudança em mudança, através de cidades que pela exposição ou pela pendência ou pelos cursos de água ou pelos ven­tos apresentam-se com alguma diferença entre si.
Uma vez que a sua sociedade é organizada sem grandes diferenças de rique­za ou de autoridade, as passagens de uma função para a outra ocorrem quase sem atritos; a variedade é assegurada pelas múl­tiplas incumbências, tantas que no espaço de uma vida rara­mente retomam para um trabalho que já lhes pertenceu.
Deste modo a cidade repete uma vida idêntica deslocan­do-se para cima e para baixo em seu tabuleiro vazio. Os habi­tantes voltam a recitar as mesmas cenas com atores diferentes, contam as mesmas anedotas com diferentes combinações de palavras; escancaram as bocas alternadamente com bocejos iguais. Única entre todas as cidades do império, Eutrópia permanece idêntica a si mesma. Mercúrio, deus dos volúveis, pa­trono da cidade, cumpriu esse ambíguo milagre.
Calvino, I. As cidades invisíveis. Companhia das Letras, 1990 [Le città invisibili, 1972]

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Coluna da Rouge--O chão é cama!


Olá!

Seguindo a nossa epopéia literária no mês de dezembro,deleitaremos hoje em Carlos Drummond de Andrade.

Mineiro de Itabira,tem com a marca protuberante da busca pela comunicação em sua poesia.

Um poema da fase erótica de Drumond(1973) e o meu predileto.

Desvirtue e saboreie!

O chão é cama

O Chão é Cama para o Amor Urgente
O chão é cama para o amor urgente,
amor que não espera ir para a cama.
Sobre tapete ou duro piso, a gente
compõe de corpo e corpo a úmida trama.

E para repousar do amor, vamos à cama.

Carlos Drummond de Andrade, in 'O Amor Natural'


Beijos !

Rouge Cerise

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

A grande arte

O Brasil estava saindo de um período de quase 20 anos de ditadura. A abertura era lenta e gradual, como afirmara os generais que estavam no comando do país desde o golpe de 1964. Rubem Fonseca, no ano de 1983, com extrema coragem, lançou o seu segundo livro A grande arte. Tratando de assuntos polêmicos como a violência nas grandes cidades e prostituição, Fonseca não deu bola ao regime ditatorial e seguiu em frente.
Rubem Fonseca, um mineiro de Juiz de Fora e nascido no ano de 1925, se formou em Direito. Porém no ano de 1952, entrou para a Polícia trabalhando como Comissário no Distrito policial de São Cristóvão. Após longo tempo atuando nos gabinetes da polícia, estudou um tempo nos Estados Unidos. Saiu da polícia e começou a trabalhar na Light e se envolver com a Literatura. Autor de inúmeros clássicos da literatura brasileira, Fonseca já foi agraciado com diversos prêmios literários, inclusive o prêmio Jabuti pela A grande arte.
O romance publicado em 1983, nos trás a história do advogado Mandrake, que se vê envolvido no caso de um serial killer que atua nas ruas do Rio de Janeiro, matando mulheres e deixando uma peculiar assinatura nos rostos das vítimas: uma letra P marcada a faca. Mandrake, com sua vocação para detetive, começa então a investigar os crimes, para poder ajudar um cliente. Cada vez que ele fica mais próximo da verdade, a sua vida vai correndo mais riscos.
Excelente obra da literatura brasileira. Com sua maneira envolvente de escrever, Fonseca vai envolvendo o leitor no que parece ser uma teia. Conforme vai avançando no livro, ele vai emaranhando ainda mais o leitor na sua história. Com pitadas de erotismo e de humor, Fonseca descreve um submundo que poucos sabem da existência. Com sua experiência de vida policial, Rubem Fonseca descreve muito bem o que acontece na noite e nas entranhas do mundo do crime.
Para os leitores que sentem certo preconceito com a literatura brasileira, é uma boa oportunidade de saber que aqui, em terras tupiniquins, também temos livros policiais de qualidade.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Vamos ler?

Aos caros Argonautas que me acompanham neste espaço, já sabem a devoção que tenho pelos livros.
Acredito que somente através deles, poderemos ter um país mais evoluído e mais justo. Livros deveriam fazer parte de gênero de primeira necessidade e seu incentivo junto às escolas de ensino fundamental, obrigatório.

O hábito da leitura deve ser semeado e cultivado durante a mais tenra infância. Tiro pelo meu caso. Agradeço pelo incentivo dado pela minha mãe (leitora voraz), que sempre nos presenteou com revistas em quadrinhos e livros.

Com uma enorme quantidade de livros em casa, comprados com muito sacrifício, já que o dinheiro não sobrava, podemos estar sempre em contato com os livros.

Faço um apelo a todos que por aqui passam, que possam sempre incentivar aos que estão por perto, para adquirir este hábito.

No Blog do Argônio, você pode pesquisar nos links ao lado, sobre livros. Sempre terá alguma dica de leitura.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Vida líquida


O conceito de liquidez na sociedade moderna foi muito bem criada e desenvolvida pelo sociólogo Zygmunt Bauman.
O líquido assume a forma de qualquer recipiente que o contém. Ele não tem forma própria, escorre pelas mãos e tem uma fugacidade incrível.
Sobre esse assunto, ele afirma:
"Líquido-moderna é uma sociedade em que as condições sob as quais agem seus membros mudam num tempo mais curto do que aquele necessário para a consolidação, em hábitos e rotinas, das formas de agir."
"A vida líquida é uma vida precária, vivida em condições de incerteza constante"
Veja outros posts sobre Zygmunt Bauman: Clique aqui.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Fuga da realidade

A sociedade hipermoderna é caracterizada pela busca obsessiva pelo consumo e pela satisfação. Com o relógio como o seu pior inimigo, o ser humano fica cada vez mais acuado e as rotas de fuga são cada vez mais utilizadas.
Drogas, álcool, novos empregos e novas famílias são cada vez mais comum na vida atual.

Joseph Brodsky, um filósofo russo-americano disse:

“Vocês ficarão entediados com seu trabalho, seus cônjuges, seus amantes, com a vista de sua janela, a mobília ou o papel de parede do seu quarto, seus pensamentos, com vocês mesmos. Por conseguinte, tentarão imaginar maneiras de fugir. Além dos dispositivos de auto-satisfação mencionados anteriormente, vocês podem assumir novos empregos, residências, empresas, países, climas, podem assumir a promiscuidade, o álcool, viagens, aulas de culinária, drogas, psicanálise... Na verdade, podem juntar tudo isso, e por algum tempo vai parecer que está funcionando. Até o dia, é claro, em que você acorda no seu quarto em meio a uma nova família e outro papel de parede, num estado e num clima diferentes, com uma pilha de contas do agente de viagens e do psicanalista, mas com o mesmo sentimento de fastio em relação à luz do dia que se infiltra pela janela.”
Imagem clara do cachorro correndo atrás do próprio rabo.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Youtube e a revolução digital

A internet sempre nos oferece novidades. Alguns sites aparecem e somem com a mesma facilidade. O que é febre hoje, pode cair no ostracismo na semana seguinte.
Remando na contramão dessa tendência, o YouTube é sucesso de público e crítica desde seu lançamento e aquisição pela Google, no ano de 2006.

Após várias remodelações e adequações, o site de compartilhamento de vídeos mais famoso do mundo, acabou por se tornar uma verdadeira rede social.
Local de encontro de uma comunidade, que trocam ideias, críticas e conteúdo, o YouTube foi pouco estudado pelos teóricos da Comunicação.

O livro Youtube e a revolução digital começa a preencher uma lacuna sentida nesse ramo. Com uma extensa pesquisa, os escritores Burgess e Green, falam com propriedade, linguagem simples e recheado de exemplos.

Vale a pena dar uma conferida no livro e no artigo que postei a um tempo atrás. Clique aqui para ver o artigo.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Os sete minutos

Um dos maiores e mais polêmicos escritores, o americano Irving Wallace, nascido em 1916, entrou para o rol dos maiores vendedores de livro do século XX. Com uma escrita direta e envolvente, Wallace sempre abordava temas da atualidade e polêmicos. Por isso, ficou conhecido como um criador de casos com a censura e a sociedade americana.
Em Os sete minutos, Wallace destila seu veneno e aborda um tema nevrálgico para os puritanos americanos. Querendo contestar a censura e a livre expressão, ele aponta uma questão controversa a todos: Pode uma obra literária ser culpada pelo comportamento criminoso de um indivíduo?
A história começa com a venda de um suposto livro, considerado o mais obsceno de todos os tempos, entrando até para o Índex da Igreja Católica (lista das obras consideradas proibidas), pois descreve com perfeição as sensações de uma mulher durante o sexo. A partir daí, um criminoso é preso e alega ter sido influenciado pelo livro para cometer um estupro e homicídio. Têm início então, uma feroz batalha jurídica e uma intensa investigação a respeito do caso.
Destaque para o final surpreendente!
Excelente livro e que apesar de ser grande, sustenta o ritmo durante toda a história. Boa oportunidade para os profissionais de Comunicação, pois aborda temas como censura e livre expressão

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Coluna da Rouge--Aula de Matemática



Olá!

Celebrando as delícias do mês de dezembro,a coluna da Rouge será literária até o final do ano.

Amor é sentimento.
É possível uni-lo a exatidão da matemática?
A aula de hoje é com o Mestre Tom Jobim:


Aula de Matemática

Pra que dividir sem raciocinar
Na vida é sempre bom multiplicar
E por A mais B Eu quero demonstrar
Que gosto imensamente de você

Por uma fração infinitesimal,
Você criou um caso de cálculo integral
E para resolver este problema
Eu tenho um teorema banal

Quando dois meios se encontram desaparece a fração
E se achamos a unidade
Está resolvida a questão

Prá finalizar, vamos recordar
Que menos por menos dá mais amor
Se vão as paralelas
Ao infinito se encontrar
Por que demoram tanto os corações a se integrar?
Se infinitamente, incomensuravelmente,
Eu estou perdidamente apaixonado por você.

António Carlos Jobim / Marini Pinto
(1958)


Abraços!

Rouge Cerise

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Projetos


E a saga continua e o mistério aumenta:
Gabriela estava em casa brincando com seus dois filhos, porém sem muita concentração. Aquele telefonema estranho que havia recebido do escritório do seu marido na parte da tarde a havia deixado confusa. Falaram que Fábio tivera que fazer uma viagem urgente para Salvador e que estaria de volta dentro de uma semana.
Por que o próprio marido não telefonou para comunicar? Viagens a negócios não eram muito raras na vida deles, já que Fábio ocupava um cargo de gerência na multinacional de tecnologia e informática, mas uma viagem de emergência sem avisar, já era demais. Pensou em várias hipóteses, até mesmo a de traição, pois o marido andava muito estranho e ausente nos últimos meses. Tentou afastar o pensamento e continuou a brincadeira com os dois filhos. Lucas e João Marcos brincavam de videogame e solicitavam a presença da mãe a cada jogada que cada um fazia durante a partida de futebol virtual.
Clique aqui para saber mais: Projeto

domingo, 6 de dezembro de 2009

Amor Rubro-Negro

Já se passaram mais de 26 anos daquela tarde. Dia ensolarado, típico do verão carioca em janeiro de 1983.

O menino de 7 anos era amante de futebol e sem nenhum time definido. Nenhuma influência na família que o pudesse converter a algum amor imposto. Gostava de futebol e ponto. Flertou com o Grêmio (apesar de carioca), Uruguai e até mesmo com a seleção de Honduras da copa de 1982 (do goleiro Arzu...rs).

Voltando àquela tarde e ao convite recebido do padastro para ir ao Maracanã. Templo sagrado do futebol e palco dos maiores ídolos do esporte bretão o fizeram viajar. Convite feito, convite aceito.

Jogo do Flamengo, início de caminhada no Campeonato Brasileiro. Entrada do estádio. A Nação invadindo. Bons tempos, torcedores comparecendo para torcer, quase nenhuma confusão. A memória sonora se faz presente. O eco das entradas das arquibancadas (estreitas) ainda ressoa.

Arquibancada lotada.Vermelho e preto em toda a sua extensão. Amor à primeira vista. O menino não entendia como passara 7 anos de sua vida vagando por outros flertes. Quando deu por si, a flecha do cupido acertou, sem piedade, o meio de seu coração. Sabia que a partir dali, sua vida seria modificada.
Quando olhou para o gramado, viu Zico, Leandro e Júnior. Além de Raul, Marinho e Lico.
Resultado do jogo? Não importa, a Nação já havia feito o seu papel. Arrebanhou mais um fanático.

Ídolo? Leandro e Júnior. Zico não entra nessa categoria, pois estou falando de ídolos humanos.

O post acima retrata o nascimento de um amor incondicional. Aquele que te acompanha por todas as vidas

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Rancière e a mídia

Em uma excelente entrevista concedida à revista Cult, o filósofo francês Jacques Rancière não se furta de comentar sobre uma infinidade de assuntos começando com política e passando pelo papel da mídia na sociedade contemporânea.

O autor de O espectador emancipado, comenta sobre os mais diversos olhares de espectadores nas mais diversas obras de artes e meios de comunicação. Contudo, deixa de fora o espectador de televisão. Questionado sobre o motivo de deixar de fora a TV, Rancière afirma:

" Há casos em que o espectador está na frente da TV mudando de canal sem prestar atenção ao que está vendo. Eu me preocupei mais com o cinema, as artes plásticas, nos quais uma relação forte do olhar está pressuposta. A TV, de modo geral, não pressupõe um olhar forte, mas um olhar ALIENADO ou DISTRAÍDO."

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Cotas e consequências

Um dos temas mais polêmicos da atualidade e ao mesmo tempo pouco discutido pela sociedade, as cotas para minorias ainda suscita muita dúvida sobre sua funcionalidade.
Lendo o livro Uma gota de sangue (Demétrio Magnoli), o leitor é levado a uma reflexão ao se discutir as diversas "ações afirmativas" (cotas) praticadas nos mais variados recantos do planeta.
Uma passagem interessante é quando se fala da Índia. Em um país dividido em castas, as ações afirmativas são praticadas e contestadas por parte da sociedade.
Leia a passagem abaixo e reflita:

" Embora tenha existido pouca crítica pública da ação afirmativa na Índia antes dos anos 1970, as críticas tornaram-se muito mais audíveis com o tempo, ao mesmo tempo em que ocorria uma escalada da violência. Um estudo de 1997 concluiu que o sistema de cotas eliminou qualquer boa vontade que as castas superiores nutrissem pelas inferiores, em parte devido a uma generalizada superestimação da quantidade e eficácia das políticas de preferências."

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Escorpiões e outros bichos

Um pequeno post para saber o quão estranho é esse nosso Brasil.

Está em processo de produção um filme sobre Bruna Surfistinha. A célebre escritora e ex-garota de programa ficou conhecida após lançar o livro "O doce veneno do escorpião", que foi imediatamente alçado a condição de best-seller.
Participação em programas de televisão, palestras, encontro de escritores e demais eventos que reúne os escritores mais badalados do país. Além disso, outros livros lançados versando sobre o mesmo tema e aproveitando essa fama repentina.

O filme sendo gravado seria uma cereja no bolo dessa personalidade brasileira.
Realmente não damos o menor valor aos ídolos que realmente serviriam de exemplo para as futuras gerações.
Mas nada que não nos surpreenda, quando vemos o nível que encontramos na grande mídia e os modelos reverenciados nos dias de hoje.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

COLUNA DA ROUGE-PASÁRGADA





Vou-me Embora pra Pasárgada
Manuel Bandeira


Vou-me embora pra Pasárgada

Lá sou amigo do rei

Lá tenho a mulher que eu quero

Na cama que escolherei

Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada

Aqui eu não sou feliz

Lá a existência é uma aventura

De tal modo inconseqüente

Que Joana a Louca de Espanha

Rainha e falsa demente

Vem a ser contraparente

Da nora que nunca tive

E como farei ginástica

Andarei de bicicleta

Montarei em burro brabo

Subirei no pau-de-sebo

Tomarei banhos de mar!

E quando estiver cansado

Deito na beira do rio

Mando chamar a mãe-d'água

Pra me contar as histórias

Que no tempo de eu menino

Rosa vinha me contar

Vou-me embora pra Pasárgada

Em Pasárgada tem tudo

É outra civilização

Tem um processo seguro

De impedir a concepção

Tem telefone automático

Tem alcalóide à vontade

Tem prostitutas bonitas

Para a gente namorar

E quando eu estiver mais triste

Mas triste de não ter jeito

Quando de noite me der

Vontade de me matar

— Lá sou amigo do rei —

Terei a mulher que eu quero

Na cama que escolherei

Vou-me embora pra Pasárgada.



Um poema surreal, que implica a fala como identidade no texto literário.
Pasárgada trata-se de um reino imaginário e concomitantemente uma concepção de real que contrapunha a realidade triste de Bandeira,um poeta que sofria de uma sérios problemas de saúde a ao sentir a vida se esvaindo,exprimia seu sofrimento na escrita.

Lá a existência é uma aventura

De tal modo inconseqüente


O “eu-lírico” utiliza o espaço das memórias dos seus sonhos de criança para revelar seu anseio de liberdade e satisfação.

E como farei ginástica

Andarei de bicicleta

Montarei em burro brabo


A vontade de inconseqüência inerente ao ser humano é expressa através de uma linguagem imagética,utilizando como pano de fundo a fantasia.

Quando de noite me der

Vontade de me matar

— Lá sou amigo do rei —

Terei a mulher que eu quero



Este poema foi escrito na década de 1930, no 2º momento do Modernismo literário brasileiro, onde as mudanças nas quais o país passou, se apresentaram na literatura em forma de desabafo, e nesse caso um “desabafo utópico”.


Invente,descubra a sua Paságarda!

Abraços!

Rouge Cerise

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Rio - Cidade (quase) Maravilhosa


No século XIX e até meados do século XX, a cidade do Rio de Janeiro era a mais importante do país. Sede do Império, depois capital do país, éramos a cidade mais glamourosa, desejada e comentada. Com o passar dos tempos, o que se viu foi apenas a decadência da outrora denominada Cidade Maravilhosa.
Hoje em dia aparecemos na mídia somente pelo lado negativo. São notícias de tráfico, tiroteios, prostituição infantil e outros destaques deste tipo. Até mesmo nosso futebol passou a ganhar mais destaque não pelos títulos e vitórias, e sim pelos vexames.
Um de nossos orgulhos, o Carnaval, ganha destaque internacionalmente mais pelo fato da prostituição, do que pelo show em si. Até as famosas escolas de samba da cidade, perdeu espaço para as escolas de outros municípios, vide os último títulos da Beija Flor.
Andamos pelas ruas e observamos a decadência do local. São favelas, moradores de rua, asfaltos esburacados, prédios mal conservados, tiroteios e muito mais. Os moradores vivem em constante estado de alerta e em toque de recolher virtual. Observamos os semblantes dos cariocas e ao invés da alegria habitual, notamos medo e tensão.
O que fazer para reverter esta situação e voltarmos a ser aquela cidade especial? Com certeza, muito mais do que pendurar faixas de Basta nas sacadas dos prédios e reclamar da situação. Devemos nos unir e buscar soluções.

domingo, 29 de novembro de 2009

Coma


Robin Cook nasceu no ano de 1940, em Nova York e se transformou em um dos maiores escritores de romance de aventura e suspense do século XX. Formado em Medicina pela Universidade de Columbia, Cook juntou as duas maiores paixões de sua vida: Medicina e Literatura. Com extrema precisão, foi autor de diversos livros de sucessos, quase sempre tendo como pano de fundo a medicina. Livros como Febre, Cérebro e Mutation viraram best-sellers e venderam milhões em todo o planeta.
Alguns de seus livros chegaram a virar filmes, pelas mãos de reconhecidos diretores Hollywoodianos.
O livro Coma, considerado o seu maior sucesso, é uma excelente oportunidade de tomarmos contato com o mundo de Cook. Neste livro, ele nos trás uma história de suspense e ação, que prende o leitor já nas primeiras páginas e faz com que o mesmo devore o livro rapidamente.
A vida no prestigiado Hospital Memorial de Boston segue tranqüila, sem problemas, até que em um gelado inverno, Susan Wheeler, estudante de Medicina, começa a desconfiar de uma série de pacientes que saem da sala de operações nº 08 com o cérebro destruído. Susan começa então uma pequena investigação por conta própria e começa a descobrir uma enorme organização criminosa responsável pelo tráfico de órgãos. A partir daí, ela começa a correr risco de vida e passa a ser impiedosamente perseguida pela organização. Susan se vê no meio de uma corrida para salvar sua própria vida.
Excelente livro e uma dica imperdível para fãs da Literatura de suspense!

sábado, 28 de novembro de 2009

Projetos


Seguindo a história:
O que poderia fazer? Começou a tentar meditar, para que seu corpo, já totalmente dolorido, não doesse tanto e que sua mente pudesse descansar. Ele estava acostumado com o ritmo frenético dos pensamentos do dia-a-dia, mas nunca tinha passado por uma situação extrema como aquela.
Lentamente e com dificuldade, Fábio foi ficando um pouco mais tranqüilo e aos poucos diminuindo o ritmo de seus pensamentos. Contudo seus sentidos foram aguçados ao ouvir um distante barulho, diferente do zumbido intermitente que vinha ouvindo desde que recobrara sua consciência. Parou e tentou concentrar-se naquele ruído, parecia o som de louças se chocando, alguém comendo ou lavando pratos. O som durou alguns minutos e o zumbido passou a reinar sozinho em sua cabeça.
Fábio passou a ficar com fome e preocupado se o alimentariam, ou simplesmente esperariam o suposto resgate e o deixariam ali para morrer de qualquer jeito. Já um pouco sem forças, ele deitou no pequeno e escuro cubículo e começou a tentar relaxar e dormir um pouco, para afastar aquela incômoda dor no braço esquerdo.
Quer entender um pouco mais, clique aqui nos posts anteriores:

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

A luta contra o tempo


Um dos maiores males da humanidade na Hipermodernidade é a incansável batalha contra o tempo. Além de ser uma guerra perdida, ela é causadora dos maiores estresses a que somos submetidos.
Já abordei o assunto em um post na coluna semanal Devaneios Argônicos. Clique aqui para ler.
Outro dia encontrei uma citação de Juan Luis Cebrian sobre a briga contra o tempo. Reproduzo abaixo, pois acredito ser uma excelente fonte de reflexão para todos nós.
"A velocidade é contrária à reflexão, impede a dúvida e dificulta a aprendizagem. Hoje nos vemos obrigados a pensar mais depressa e não a pensar melhor.
Embora nem tanto: se, por um lado, parece que conseguimos vencer o tempo, por outro, em nossa atividade cotidiana, a ausência dele acaba por nos destruir. Essa falta de tempo do homem e da mulher contemporâneos, num eterno corre-corre, roubando minutos do relógio, incapazes de estarem em dia por causa do enorme número de livros, jornais, rádios ou televisores que reclamam sua atenção, contrasta com a eliminação da dimensão temporal em desenvolvimento das infopistas. O tempo desaparece nelas, só que não para aqueles que por elas circulam."

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Rio de Janeiro por Bauman


Blogueando nos sites de amigos, encontrei esta verdadeira pérola no Blog A Lenda, de meu amigo Rafael Fortes.
O sociólogo polonês Zygmunt Bauman recebeu um pedido para responder a três perguntas da Agência Notisa sobre a situação do Rio de Janeiro, em relação à violência e às favelas. Estudioso como é, pediu um tempo para pesquisar sobre o assunto e poder responder com mais propriedade.
Como resultado, três artigos como resposta e que traduz o sentimento do sociólogo sobre um dos assuntos mais controvertidos de nossa sociedade brasileira, a violência.
Vale a pena clicar no link do A Lenda e conferir as respostas na íntegra.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Uma gota de sangue


O livro Uma gota de sangue deveria ser leitura obrigatória nas instituições de ensino em todo país. Com uma minuciosa pesquisa, Demétrio Magnoli apresenta um raio-x da história da discriminação racial na história da humanidade. Seja na África do Sul, EUA ou mesmo no Brasil, casos de racismo foram e são comuns até os dias de hoje.
Além de abordar com maestria o assunto, Magnoli joga luz sobre o polêmico assunto das medidas compensatórias, tais como as cotas raciais em universidades públicas, instituições governamentais etc.
Até que ponto a adoção dessas medidas é eficaz para reduzir o racismo cotidiano?
Apresentando casos em todo o mundo e a visão de diversos pensadores sobre o assunto, tais como o ícone americano Martin Luther King, o livro é um excelente embasamento para fazer a sociedade refletir e decidir o que de melhor pode ser feito no campo da inclusão racial na atualidade.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Coluna da Rouge--Reforma já!





Olá!
Qual a importância do livro na vida de um indivíduo?
Abrir caminhos?Produzir conhecimento?
De fato,estas são algumas respostas da imensa gama de contribuições que a leitura oferece.
Existe uma lenda que diz que o brasileiro não tem hábito de leitura.
Entretanto,qual parcela da sociedade brasileira tem livre acesso à literatura?
A pesquisa Retratos de Leitura, promovida pelo Instituto Pró-livro aponta que, por mais que haja um crescimento no consumo editorial, este não atinge aos consumidores das classes C e D.
Em sites são lançadas campanhas de doação de livros, a atitude é um belo caminho, mas na prática não acontece de maneira objetiva.
Seremos sempre um país provinciano que restringe o hábito da leitura e, por conseguinte o letramento, as camadas menos abastadas?
Chega de nos enganarmos com ineficazes políticas de incentivo a educação.

Reforma já!

Abraços!

Rouge Cerise

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Os jornalistas


Nascido no dia 20 de maio de 1799, Honoré de Balzac teve uma vida muito agitada e complicada. Oprimido pelo pai camponês e que se tornou funcionário público, teve de estudar Direito por imposição. Com seu amor pela Literatura, resolveu abandonar tudo e saindo de casa, viveu na França, sobrevivendo graças aos contos e peças de teatro que escrevia. A partir de 1829, começou a escrever romances, novelas, peças de teatro e também artigos que eram publicados nos jornais da época. Em 1834, escreveu aquela que é considerada a sua maior obra: A comédia humana, livro no qual ele condensou seus romances em apenas um, dividindo por capítulos temáticos.
Conhecido por seus escritos realistas e políticos, Balzac destacava-se pelo amor que sentia pela escrita. Era capaz de ficar mais de quinze horas por dia escrevendo suas obras. Talvez isso explique o imenso volume que o mesmo produziu.
Em Os jornalistas, Balzac descreve com ironia e crueza o perfil dos jornalistas na época, que se levarmos em conta o período que foi escrito podemos nos assustar como as características são as mesmas que encontramos ainda nos dias de hoje. Trabalhando sempre com as espécies encontradas na mídia, ele traça uma espécie de caricaturas dos profissionais da época.
Balzac também ficou muito conhecido por defender o tipo de produção Feudal, achava que a massa e o povo não tinham a habilidade de se governarem e de gerirem um sistema legal. Morreu no ano de 1850 e deixou um enorme legado à humanidade.

domingo, 22 de novembro de 2009

Cartunista prodígio III

Ilustração: João M.


Quem acompanha o Blog do Argônio já deve conhecer as tiras do cartunista prodígio João M. (Clique aqui para conhecer a série).


Com apenas 13 anos e dono de um humor crítico e muita criatividade, João aborda todos os temas do cotidiano com uma enorme categoria.


A tira acima fala sobre a eterna discussão do uso do Guitar Hero pelos jovens. Afinal ela estimula ou tira a vontade dos jovens de estudar o instrumento imortalizado por Jimmi Hendrix?


Post falando sobre o uso do Guitar Hero.

sábado, 21 de novembro de 2009

Racismo, cotas e Luther King

Volto hoje falando do tema racismo no Brasil.

Um dos assuntos mais polêmicos da atualidade se refere ao sistema de cotas que vai sendo implantado aos poucos pelas diversas universidades públicas no Brasil. Muitos alegam que este é uma medida compensatória para reparar os danos causados pelos antepassados aos negros no país. Outros afirmam que ela apenas acentua a discriminação.

O sistema de cotas e medidas afins não são exclusividades do nosso país tupiniquim. Nos EUA, algumas medidas semelhantes já são observadas tantos nas universidades, como em empresas. Contudo, observe o que pensava o líder negro Martin Luther King a respeito do assunto.

"Luther King tinha tudo isso em mente quando explicitou que seu "Bill of Rights para os desvalidos", inspirado nos programas para veteranos de guerra, deveria ter como beneficiários os negros e os brancos pobres. No Where do We go from here, seu penúltimo livro, ele foi mais longe. Registrou que, em números absolutos, existiam duas vezes mais brancos pobres que negros pobres nos EUA e afirmou que, no lugar de uma ênfase excessiva nas relações entre pobreza e discriminação racial, melhor seria abordar a pobreza que atingia tanto os negros quanto os brancos."

O trecho acima foi retirado do livro Uma gota de sangue, do autor Demétrio Magnoli.

Acredito que o foco deva ser a exclusão social e não a exclusão racial.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Casa-Grande e Senzala

Ilustração: Ivan Rodrigues

O tema racismo sempre volta a tona na sociedade. Muito afirmam que o discriminação racial não é um problema no Brasil e que conseguimos viver com a presença de diversas "raças".
Contudo, no dia a dia, as atitudes que vemos mostram exatamente o contrário. Basta dar uma olhada nos programas de TV, nas empresas que trabalhamos, nas escolas, nas favelas etc.

Estamos longe de nos tornamos uma nação isenta desse mal, que nos assola desde os idos de 1500. Para refletirmos um pouco mais sobre esse assunto, destaco uma das passagens de Casa-Grande e Senzala, escrito por Gilberto Freyre e que é considerado por muitos, como uma espécie de certidão de nascimento da sociedade brasileira:

"Todo brasileiro, mesmo o alvo, de cabelo louro, traz na alma, quando não na alma e no corpo (...) a sombra, ou pelo menos a pinta, do indígena ou do negro. (...) Na ternura, na mímica excessiva, no catolicismo em que se deliciam nossos sentidos, na música, no andar, na fala, no canto de ninar menino pequeno, em tudo que é expressão sincera de vida, trazemos quase todos a marca da influência negra."

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Siga o vento!






Conte-me uma história
Subverta os padrões
Mate os mocinhos
Vida longa aos bandidos


Dane-se os padrões
Quebre as algemas
Pule as cercas
Transforme-se no que bem quiser


Encontre moinhos de vento
Não os enfrente
Entregue-se a brisa suave que leva ao infinito
Que soprem para longe meses, dias e anos



Celebre o vazio
Siga o secreto
Renove-se
E a vida estará cheia, repleta do tudo


(Marquês de Sórdido)

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Blogueando no Blog do Eric Ricardo


Comos os caros Argonautas já sabem, sou um apaixonado por desenhos e imagens.
Blogueando nos blogs amigos, conheci o trabalho do Eric Ricardo.
Mineiro, de Nova Lima, trabalha desde 2001 fazendo ilustrações para livros didáticos e revistas.
Vale a pena uma visitada no Blog do Eric e conferir de perto seus trabalhos.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Coluna da Rouge -Maçãs subversivas



"Mulheres são como maçãs em árvores.
As melhores estão no topo.
Os homens não querem alcançar essas boas, porque eles têm medo de cair e se machucar. Preferem pegar as maçãs podres que ficam no chão,
que não são boas como as do topo,
mas são fáceis de se conseguir.
(Autor desconhecido)

Qual o valor da mulher?

Números não são capazes de descreverem.
Dias atrás fomos surpreendidos pela selvageria dos alunos de uma faculdade contra uma garota,por um simples fato,ela trajava um vestido curto.
Valores?
Creio que eles desconheçam esse termo.
Contudo,será que nós mulheres estamos nos valorizando?
Antigamente,em meados do século XX ,se mediam tamanho de caráter pelas polegadas dos vestidos,diante disto, a forma de se manifestar contra valores hipócritas era usar Mini-Saia.
Triunfo?
Século XXI, a perseguição é contra nosso objeto de subversão.
Paradoxal!
Portanto, valorizem-se garotas!
Usem mini-saias, em todos os sentidos que elas possam conter:Liberdade,inteligência,beleza,sensualidade,dentre outros.
O mais importante é sermos altamente desejadas.
Apenas pelos homens?
Não!
Por NÓS mesmas,as deliciosas,subversivas e maduras Maçãs.

Este é o jeito Rouge de ser!

Beijos com aroma de maçã!

Rouge Cerise

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Tempo fechado


O ramo da espionagem e ação é responsável por uma boa parte das publicações literárias em todo o mundo. Um escritor que popularizou e se tornou um dos mestres nesta arte foi justamente Ken Follet.
Nascido no País de Gales e morador de Londres desde criança, Follet sempre apresentou um gosto pela literatura. Sem ser um aluno brilhante na escola, passou a se dedicar horas ao estudo sozinho. Conseguiu entrar no University College London e cursou Filosofia. Sempre envolvido com política, fez uma pós-graduação em Jornalismo e trabalhou como jornalista em diversos jornais da Grã-Bretanha. Em 1978, publicou seu primeiro livro Eye of the needle. A partir daí não parou mais de escrever romances, sempre com muito sucesso.
Em Tempo Fechado, Follet nos conta uma história de uma empresa de Biotecnologia, sediada na Escócia, com subsídio americano, que pesquisa vírus e vacinas. Contudo, o vírus Madobe-2, criado pela Oxenford Medical sai de controle quando um técnico do laboratório aparece morto em casa após ser contaminado com o vírus letal. A partir daí começa uma seqüência emocionante de acontecimentos que coloca em risco toda a população da Europa.
Follet apresenta uma técnica toda característica ao apresentar vários personagens, que a princípio não tem nenhuma relação uns com os outros, mas que com o desenrolar da história vão se encontrando e tendo espaço decisivo na trama. Nenhuma ponta da história fica solta ou perdida no livro. Isto faz com que o livro traga a cada página, sempre uma surpresa, sem aqueles momentos de tédio que encontramos em diversos livros.
Uma excelente pedida para quem gosta de entrar no mundo da espionagem, ação e aventura. Se quiser conhecer melhor este universo, nada melhor do que um dos principais escritores do estilo europeu para apresentá-lo.

domingo, 15 de novembro de 2009

Pulp Fiction - Um novo modo de se fazer cinema


O ano de 1994 é um marco na história da sétima arte. Foi neste ano que foi lançado o filme que se tornou um divisor no modo de se fazer e de se pensar cinema. Pulp Fiction – Tempo de violência, logo em seu lançamento, mostrou a que veio e projetou mundialmente o cultuado diretor Quentin Tarantino. Com baixo custo de produção para os padrões “Hollywoodianos”, cerca de U$ 8 milhões, o filme arrecadou mais de U$ 200 milhões e fez com que os filmes independentes passassem a ser vistos com outros olhos pela indústria cinematográfica.

Com um roteiro muito bem escrito, grandes estrelas (Bruce Willis, John Travolta, Samuel L. Jackson e Uma Thurman), doses de violência e humor na medida certa, Tarantino conseguiu logo no seu segundo filme, emplacar um grande sucesso e rotulá-lo como um verdadeiro cult movie.
Pulp Fiction conta várias histórias simultâneas e, a princípio, sem ligação uma com as outras.
Editadas fora da seqüência cronológica, as aventuras sucedem em ritmo ágil e rápido, garantindo que o espectador fique preso até o fim, em grande expectativa. Com esta idéia de histórias cruzadas, Tarantino consegue fazer um filme com vários atores no papel de destaque.
A primeira história é a de Vincent Vega (John Travolta) e Jules Winnfield (Samuel L. Jackson) que são dois assassinos profissionais e que têm uma missão de cobrar uma dívida para um temido gângster. Além disso, Vega se vê envolvido com a namorada (Uma Thurman) do chefe.
A outra história é a de Butch Coolidge (Bruce Willis), um boxeador que se vê envolvido com apostadores fora da lei. Butch acaba por ganhar uma luta que estava combinado que perderia. Dá-se início a uma verdadeira caçada ao boxeador.
Muitos espectadores podem alegar que o filme apresenta diversas cenas de violência explícita. Porém, Pulp Fiction funciona mais como uma crítica do diretor ao sistema de produção de filmes atuais. Ao lermos o texto de Edgard Morin, O Revólver, temos que a fórmula ideal de Hollywood é baseada no seguinte lema: “a girl and a gun” (uma garota e uma arma). Com isso, Tarantino pega este conceito e leva ao extremo. Garotas fora do padrão da beleza convencional e postura de mocinhas, vide o exemplo das personagens de Uma Thurman e Rosana Arquette, e violência desmedida, servem para fazer pensar no padrão atual dos filmes produzidos.
Algumas curiosidades podem ser percebidas durante as mais de duas horas de filme. A participação de grandes atores em papéis menores, a aparição de Tarantino em uma personagem e o ressurgimento de John Travolta após grande período de ostracismo.
Com baixo orçamento, porém com um roteiro super original, Tarantino provou aos executivos que um bom filme depende mais de criatividade e de boas atuações dos atores, do que necessariamente de montanhas de dinheiro e megas efeitos especiais. Um filme que com certeza vale a pena ser visto e revisto, pois faz com que o espectador leve uma “sacudida” no cérebro e passe a encarar o cinema com outra visão e não só nos “filmezinhos-padrão” que nos é imposto atualmente.

sábado, 14 de novembro de 2009

Quando Nietzsche chorou




O psicoterapeuta e professor de psiquiatria na Universidade de Stanford, Iryin Yalom, começou a planejar um livro com uma idéia inusitada e audaciosa. Yalom desejava juntar filosofia, psicanálise e romance, para produzir um best seller. De início, para muitos, a idéia soava estranha e um tanto quanto exótica. Porém, com o lançamento do livro no mercado e seu estrondoso sucesso de venda, ficou provado que o autor alcançou seu objetivo. Quando Nietzsche chorou é a publicação de estréia de Iryin Yalom e nos trás uma história muito bem contada e emocionante. A história se passa no fim do século XIX, mais precisamente no ano de 1882, quando Lou Salomé procura o renomado médico Josef Breuer para o mesmo ajudar o filósofo Friedrich Nietzsche. Segundo Salomé, Nietzsche passa por uma depressão profunda e chega a ter pensamentos suicidas. Breuer aceita o caso e com a ajuda de seu discípulo, Sigmund Freud, tenta curar Nietzsche com métodos não convencionais para a medicina da época, em um tratamento que seria a base da psicanálise. Com a mistura de personagens reais e situações fictícias, o autor consegue passar mensagens de fundo filosófico, além de apresentar ao grande público um pouco da obra de Friedrich Nietzsche, considerado um dos maiores filósofos de todos os tempos. Excelente oportunidade para mergulhar no mundo de Nietzsche e em seguida aprofundar em outras obras do grande pensador da humanidade.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

As aventuras de Sherlock Holmes

Mesmo para os que não são aficcionados por leitura, o nome Sherlock Holmes diz alguma coisa. O detetive mais famoso do mundo da literatura ganhou vida pelas mãos e mente de seu criador Arthur Conan Doyle.
Doyle, nascido em Edimburgo no em maio de 1859, estudou medicina e após se formar, começou a se dedicar exclusivamente à literatura. Inovou ao criar o seu personagem mais famoso, Sherlock Holmes, ao juntar suspense, aventura e psicologia. Além de romances policiais, Doyle foi autor de novelas, peças de teatro e diversos outros livros de ficção.
Em 1887, Doyle começou a se interessar também pelo Espiritismo. Ao estudar a fundo a doutrina, escreveu ainda A História do Espiritismo, obra composta de dois volumes e que apresenta a doutrina a fundo aos iniciantes da época.
Morreu no ano de 1930, deixando um imenso legado e tendo o título de Sir conferido pela Coroa Britânica.
Nesta coletânea, encontramos nove histórias de Sherlock Holmes e seu fiel escudeiro sir Watson. Sempre com muita sagacidade, Holmes acaba por desvendar os mais profundos mistérios do mundo do crime ocorridos na Inglaterra de sua época. Com muito raciocínio e esperteza, nada passa incólume ao poder de observação do detetive e nenhum crime fica sem solução.
Que tal embarcamos nestas fantásticas aventuras e mergulharmos no mundo de Holmes e Watson?

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Blogueando no Vi o Mundo

Dando uma vasculhada na blogosfera, me deparei com o excelente e bem humorado texto reproduzido no Blog Vi o Mundo (clique aqui para conhecer).
A história foi escrita pela médica Fátima Oliveira e veiculada no jornal O Tempo.

O fetiche das tecnologias de comunicação

O fetiche das tecnologias de comunicação contemporâneas
Sou do tempo das cavernas. Tudo porque não tenho celular


Fátima Oliveira, no jornal O TempoMédica - fatimaoliveira@ig.com.br

Usufruo bastante das benesses tecnológicas da contemporaneidade que considero essenciais ao meu modo de estar no mundo. Todavia, de uns tempos para cá, tenho a impressão de que, para algumas pessoas, sou do tempo das cavernas. Tudo porque não tenho celular! Nada de ludita. Apenas defendo para meu consumo pessoal o uso racional da tecnologia - uma subjetividade e um modo de simplificar minha vida.

Todavia, para muita gente, é estranhíssimo eu não ter celular. "Você está sem celular, né?" Nããão! Não é que estou sem, é que não tenho! Já tive e enjoei. Era um desassossego. Há alguns anos, meu celular foi levado por um garoto na porta do meu prédio. Era Semana Santa e minha filharada toda estava viajando (alguém numa família precisa dar duro, é o esperado...). No sábado de Aleluia, eu chegava do plantão quando o celular tocou. Nem disse alô... Parecia que levaram um pedaço de mim. Na segunda-feira, comprei outro.

Em dezembro de 2006, um bom ladrão hospitalar o levou.Apenas defendo para meu consumo pessoal o uso racional da tecnologia –uma subjetividade e um modo de simplificar minha vida.

Aproveitei e decidi ficar sem. A crise de abstinência foi dose! Hoje, gosto imensamente. Sinto-me empoderada. No começo, foi reclamação generalizada. Quase sucumbi à gritaria familiar. Mas aguentei o tranco. Não apenas o meu celular foi expropriado, recentemente alguém surrupiou o porco-fone da coordenação de plantão... Acreditam? É vero! E olhem que ele só recebia! Ganhamos um celular, pela primeira vez, no começo da epidemia de gripe suína, daí o apelido carinhoso. Acredito que hospital é o lugar em que mais roubam celular. Juro!

A população de celular é tão assustadora num hospital que até para examinar um doente é preciso pedir para desligar o celular e ainda ficar aturando cada cara feia! Sem falar que muitas vezes é preciso pedir também para vizinhos e acompanhantes, que estão ao lado no maior papão. E ainda ouvir um monte de desaforos. Não encontro palavra mais adequada: é o caos do fetiche do celular!

Um dia, entrei na sala de emergência, na prática um CTI, quando dois celulares tocaram ao mesmo tempo. Teoricamente, nenhuma pessoa doente ali deve portar um celular, mas para minha surpresa dois doentes graves os atenderam numa boa, mesmo ofegantes. E de repente tocou outro! Era de outro doente, que só não o atendeu porque estava "entubado", mas seus olhos se abriram de uma forma tão pidona que quase atendi o celular pra ele! De repente, toca outro celular com aquelas músicas que até Deus duvida da breguice impertinente. Era o celular de um dos doentes que, todo lampeiro, falava em outro celular! Ai foi demais...Autoridade tem de pintar numa hora assim, não é? "Geeeente, assim não dá! Se todo mundo aqui pode atender celular, vamos dar o lugar para outras pessoas mais graves!" Quem vai imaginar que um doente grave não se desgruda do seu celular, ou dos seus celulares? E olhe que fazemos revista em todo mundo que chega lá e guardamos os celulares. Se num CTI é assim, faça ideia nas enfermarias...

Internet? Gosto. Sou facilmente encontrável por e-mail. Enquanto escrevo deixo abertos os e-mails que não permitem conversas em tempo real. Quando quero dou uma olhada. Mas Orkut, MSN e similares, nããão! Tenho a sensação de perda de tempo com mensagens em tempo real, que possuem suas bondades, mas é preciso ficar ligado só naquilo. O e-mail, acessamos quando desejamos. Twitter? Acho dispensável para a minha vida no momento, mas estou encantada com as possibilidades de twitteratura.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Materialização do amor



O mundo se vê atrás da corrida pelo ouro. Pessoas neuróticas pelo emprego, que não se permitem a uma folga, achando que se der brecha, perderá para uma concorrência cada vez mais ferrenha.
E.mails corporativos passados aos domingos e de madrugada são cada vez mais comuns, o que mostra o quanto as pessoas não consegue se desconectar da realidade e não se permite a uma folga que seja.
Este fenômeno deu origem ao que a socióloga Arlie Russell Hochschild chama de MATERIALIZAÇÃO DO AMOR. Para ela, tentando compensar o tempo em que não se é dedicado para a família, o sujeito tenta de todas as formas compensar. E uma das maneiras mais práticas é a compra de mercadorias para suprir esta ausência.
Segundo Hochschild:
“O consumismo atua para manter a reversão emocional do trabalho e da família. Expostos a um bombardeio contínuo de anúncios graças a uma média diária de três horas de televisão (metade de todo o seu tempo de lazer), os trabalhadores são persuadidos a “precisar” de mais coisas. Para comprar aquilo de que agora necessitam, precisam de dinheiro. Para ganhar dinheiro, aumentam sua jornada de trabalho. Estando fora de casa por tantas horas, compensam sua ausência do lar com presentes que custam dinheiro. Materializam o amor. E assim continua o ciclo.”
E então? O que você pretende para a sua vida? Se esgotar através de trabalhos ou tentar levar uma vida mais saudável perto das pessoas que realmente importam?

terça-feira, 10 de novembro de 2009

COLUNA DA ROUGE-A FUGA DA CAVERNA

Olá!
A tigresa fugiu da caverna!

Perigo!






“Uma tigresa de unhas negras e íris cor de mel
Uma mulher, uma beleza que me aconteceu
Esfregando a pele de ouro marrom
Do seu corpo contra o meu
Me falou que o mal é bom e o bem cruel “

Tigresa/ Caetano Veloso



Instinto?
Se analisar sob a ótica da psicanálise, a perversidade é anterior ao ato maldoso, pois ela é um estruturante da psique infantil, que não pode discernir bem e mal, embora a atitude má seja consciente e voluntária.
Garrras?
Minha perversidade é involuntária, pois ela só pode existir devido à ausência de distinção entre uma conduta moral e outra imoral.
Presas?
Mas como poetisa busco a uma “Felicidade clandestina”(Clarice Lispector), em que a vítima tem plena consciência da tortura à qual está sendo submetida.

Pegadas?
Destilando libido,disponho-me ao sacrifício!

Abraços!

Rouge Cerise