sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Fuga da realidade

A sociedade hipermoderna é caracterizada pela busca obsessiva pelo consumo e pela satisfação. Com o relógio como o seu pior inimigo, o ser humano fica cada vez mais acuado e as rotas de fuga são cada vez mais utilizadas.
Drogas, álcool, novos empregos e novas famílias são cada vez mais comum na vida atual.

Joseph Brodsky, um filósofo russo-americano disse:

“Vocês ficarão entediados com seu trabalho, seus cônjuges, seus amantes, com a vista de sua janela, a mobília ou o papel de parede do seu quarto, seus pensamentos, com vocês mesmos. Por conseguinte, tentarão imaginar maneiras de fugir. Além dos dispositivos de auto-satisfação mencionados anteriormente, vocês podem assumir novos empregos, residências, empresas, países, climas, podem assumir a promiscuidade, o álcool, viagens, aulas de culinária, drogas, psicanálise... Na verdade, podem juntar tudo isso, e por algum tempo vai parecer que está funcionando. Até o dia, é claro, em que você acorda no seu quarto em meio a uma nova família e outro papel de parede, num estado e num clima diferentes, com uma pilha de contas do agente de viagens e do psicanalista, mas com o mesmo sentimento de fastio em relação à luz do dia que se infiltra pela janela.”
Imagem clara do cachorro correndo atrás do próprio rabo.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Youtube e a revolução digital

A internet sempre nos oferece novidades. Alguns sites aparecem e somem com a mesma facilidade. O que é febre hoje, pode cair no ostracismo na semana seguinte.
Remando na contramão dessa tendência, o YouTube é sucesso de público e crítica desde seu lançamento e aquisição pela Google, no ano de 2006.

Após várias remodelações e adequações, o site de compartilhamento de vídeos mais famoso do mundo, acabou por se tornar uma verdadeira rede social.
Local de encontro de uma comunidade, que trocam ideias, críticas e conteúdo, o YouTube foi pouco estudado pelos teóricos da Comunicação.

O livro Youtube e a revolução digital começa a preencher uma lacuna sentida nesse ramo. Com uma extensa pesquisa, os escritores Burgess e Green, falam com propriedade, linguagem simples e recheado de exemplos.

Vale a pena dar uma conferida no livro e no artigo que postei a um tempo atrás. Clique aqui para ver o artigo.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Os sete minutos

Um dos maiores e mais polêmicos escritores, o americano Irving Wallace, nascido em 1916, entrou para o rol dos maiores vendedores de livro do século XX. Com uma escrita direta e envolvente, Wallace sempre abordava temas da atualidade e polêmicos. Por isso, ficou conhecido como um criador de casos com a censura e a sociedade americana.
Em Os sete minutos, Wallace destila seu veneno e aborda um tema nevrálgico para os puritanos americanos. Querendo contestar a censura e a livre expressão, ele aponta uma questão controversa a todos: Pode uma obra literária ser culpada pelo comportamento criminoso de um indivíduo?
A história começa com a venda de um suposto livro, considerado o mais obsceno de todos os tempos, entrando até para o Índex da Igreja Católica (lista das obras consideradas proibidas), pois descreve com perfeição as sensações de uma mulher durante o sexo. A partir daí, um criminoso é preso e alega ter sido influenciado pelo livro para cometer um estupro e homicídio. Têm início então, uma feroz batalha jurídica e uma intensa investigação a respeito do caso.
Destaque para o final surpreendente!
Excelente livro e que apesar de ser grande, sustenta o ritmo durante toda a história. Boa oportunidade para os profissionais de Comunicação, pois aborda temas como censura e livre expressão

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Coluna da Rouge--Aula de Matemática



Olá!

Celebrando as delícias do mês de dezembro,a coluna da Rouge será literária até o final do ano.

Amor é sentimento.
É possível uni-lo a exatidão da matemática?
A aula de hoje é com o Mestre Tom Jobim:


Aula de Matemática

Pra que dividir sem raciocinar
Na vida é sempre bom multiplicar
E por A mais B Eu quero demonstrar
Que gosto imensamente de você

Por uma fração infinitesimal,
Você criou um caso de cálculo integral
E para resolver este problema
Eu tenho um teorema banal

Quando dois meios se encontram desaparece a fração
E se achamos a unidade
Está resolvida a questão

Prá finalizar, vamos recordar
Que menos por menos dá mais amor
Se vão as paralelas
Ao infinito se encontrar
Por que demoram tanto os corações a se integrar?
Se infinitamente, incomensuravelmente,
Eu estou perdidamente apaixonado por você.

António Carlos Jobim / Marini Pinto
(1958)


Abraços!

Rouge Cerise

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Projetos


E a saga continua e o mistério aumenta:
Gabriela estava em casa brincando com seus dois filhos, porém sem muita concentração. Aquele telefonema estranho que havia recebido do escritório do seu marido na parte da tarde a havia deixado confusa. Falaram que Fábio tivera que fazer uma viagem urgente para Salvador e que estaria de volta dentro de uma semana.
Por que o próprio marido não telefonou para comunicar? Viagens a negócios não eram muito raras na vida deles, já que Fábio ocupava um cargo de gerência na multinacional de tecnologia e informática, mas uma viagem de emergência sem avisar, já era demais. Pensou em várias hipóteses, até mesmo a de traição, pois o marido andava muito estranho e ausente nos últimos meses. Tentou afastar o pensamento e continuou a brincadeira com os dois filhos. Lucas e João Marcos brincavam de videogame e solicitavam a presença da mãe a cada jogada que cada um fazia durante a partida de futebol virtual.
Clique aqui para saber mais: Projeto

domingo, 6 de dezembro de 2009

Amor Rubro-Negro

Já se passaram mais de 26 anos daquela tarde. Dia ensolarado, típico do verão carioca em janeiro de 1983.

O menino de 7 anos era amante de futebol e sem nenhum time definido. Nenhuma influência na família que o pudesse converter a algum amor imposto. Gostava de futebol e ponto. Flertou com o Grêmio (apesar de carioca), Uruguai e até mesmo com a seleção de Honduras da copa de 1982 (do goleiro Arzu...rs).

Voltando àquela tarde e ao convite recebido do padastro para ir ao Maracanã. Templo sagrado do futebol e palco dos maiores ídolos do esporte bretão o fizeram viajar. Convite feito, convite aceito.

Jogo do Flamengo, início de caminhada no Campeonato Brasileiro. Entrada do estádio. A Nação invadindo. Bons tempos, torcedores comparecendo para torcer, quase nenhuma confusão. A memória sonora se faz presente. O eco das entradas das arquibancadas (estreitas) ainda ressoa.

Arquibancada lotada.Vermelho e preto em toda a sua extensão. Amor à primeira vista. O menino não entendia como passara 7 anos de sua vida vagando por outros flertes. Quando deu por si, a flecha do cupido acertou, sem piedade, o meio de seu coração. Sabia que a partir dali, sua vida seria modificada.
Quando olhou para o gramado, viu Zico, Leandro e Júnior. Além de Raul, Marinho e Lico.
Resultado do jogo? Não importa, a Nação já havia feito o seu papel. Arrebanhou mais um fanático.

Ídolo? Leandro e Júnior. Zico não entra nessa categoria, pois estou falando de ídolos humanos.

O post acima retrata o nascimento de um amor incondicional. Aquele que te acompanha por todas as vidas

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Rancière e a mídia

Em uma excelente entrevista concedida à revista Cult, o filósofo francês Jacques Rancière não se furta de comentar sobre uma infinidade de assuntos começando com política e passando pelo papel da mídia na sociedade contemporânea.

O autor de O espectador emancipado, comenta sobre os mais diversos olhares de espectadores nas mais diversas obras de artes e meios de comunicação. Contudo, deixa de fora o espectador de televisão. Questionado sobre o motivo de deixar de fora a TV, Rancière afirma:

" Há casos em que o espectador está na frente da TV mudando de canal sem prestar atenção ao que está vendo. Eu me preocupei mais com o cinema, as artes plásticas, nos quais uma relação forte do olhar está pressuposta. A TV, de modo geral, não pressupõe um olhar forte, mas um olhar ALIENADO ou DISTRAÍDO."