domingo, 7 de março de 2010

Onde está o povo?

Estou lendo o livro Consumidores e Cidadãos, do teórico Néstor Canclini. Nele uma passagem em especial me chamou a atenção e levanta uma discussão interessante sobre a obrigatoriedade do voto.

"Nas nações onde o voto é voluntário, mais da metade da população se abstém nas eleições; onde é obrigatório, as pesquisas revelam que 30 a 40% não sabe em quem votar uma semana antes dos comícios. Se as manifestações nas ruas e nas praças diminuem, e se dispersam em múltiplos partidos, movimentos juvenis, indígenas, feministas, de direitos humanos e tantos outros, ficamos com a última parte da questão: onde está o povo?"

Fica a dica: Faça valer a pena a eleição 2010. Convoque, instrua, conscientize... Vamos mudar esse quadro. A hora é agora!

sábado, 6 de março de 2010

Vamos praticar a democracia


Ano de eleição e mais uma vez tenho a difícil tarefa de acreditar que o povo brasileiro irá demonstrar maturidade política e fazer valer o direito do seu voto.
Sei que é meio batido esse papo de eleições, de escolher o melhor e blábláblá... Sei o quanto é difícil, também, manter-se motivado perante tantos escândalos e casos de corrupção Brasil afora. Contudo, temos que continuar acreditando, se queremos mudar o quadro e fazer um país mais justo.
Este ano, particularmente, estou interessado no desenrolar da campanha política. Com o uso mais efetivo da internet, veremos um novo patamar chegar às eleições brasileiras. Não espero, uma interatividade e comunicação maciça como foi o caso da campanha das eleições presidenciais americanas, na qual Obama usou e abusou deste artifício. Mas, mesmo engatinhando, as campanhas já deram entrada nas redes sociais da grande rede.
Acompanharei de perto e trarei sempre que possível, casos (positivos e negativos) de uso da internet na campanha.
Fica a dica: Acompanhe os candidatos. Faça valer os seus direitos. Marque em cima e mantenha contato com os mesmos após eleitos. A força que temos nas mãos é inimaginável e nunca tivemos esse patamar de comunicação direta com a classe política.
Juntos podemos construir um país mais justo e melhor!

sexta-feira, 5 de março de 2010

Blogueando no Dossiê Alex Primo


Algumas pessoas, sabendo da minha paixão pelos livros e pela tecnologia, têm me perguntado sobre os leitores eletrônicos.

Como ainda não tive acesso ao Kindle os seus semelhantes, nunca consegui passar das informações básicas, tais como a comodidade de carregar enormes quantidades de livros, a facilidade da leitura e navegação, a tecnologia da "tinta eletrônica" (que não cansa a vista) e por aí vai.

Blogueando no Dossiê Alex Primo, dei de cara com um testemunhal de uso do Kindle. Como achei interessante, compartilho com vocês.

Mesmo sabendo que o iPad seria lançado nas semanas seguintes, decidi voltar com um Kindle na bagagem de uma recente viagem aos Estados Unidos. E já posso confirmar: estou muito satisfeito com esse charmoso leitor de e-books.

Em julho eu tinha testado o e-reader da Sony, mas não tinha ficado impressionado. Sim, a tecnologia do e-ink realmente me fascinou, mas o pequeno aparato japonês não despertou meus instintos consumistas. A interface, tanto de hardware quanto de software, se mostraram espartanas demais e de usabilidade ruim.

A sensação de manusear um Kindle pela primeira vez é muito diferente. A Amazon conseguiu alcançar aquele tipo de satisfação à primeira vista que apenas a Apple parecia saber despertar. O aparelho é realmente fino, bonito e muito leve. Agora, para descrever a qualidade da tela basta relatar esta surpresa inicial. Assim que tirei o Kindle da caixa vi que na tela havia umas instruções básicas de como ligar o aparelho. Achei que era um adesivo, como aqueles que normalmente vem grudados em dispositivos digitais. Mas eu estava errado. Não se tratava de uma película com desenhos e ilustrações muito bem impressos: era a própria tela e-ink que já vinha em modo standby. Foi assim que descobri que o Kindle nunca desliga totalmente. Ele fica sempre com uma linda ilustração randômica quando você usa o botão superior para desativá-lo (que na verdade coloca-o em modo "hibernação").

Os botões do Kindle são muito fáceis de ser acessados, pois situam-se em sua lateral. Por outro lado, o tecladinho para tomar notas e buscar livros na loja virtual é muito ruim de ser usado. Mas em um próximo post farei uma análise detalhada da interface e usabilidade.

O que quero destacar é o prazer de ler no Kindle. Como a tela não é iluminada por trás (o que exige boas condições de iluminação do ambiente) e tendo em vista a altíssima qualidade dos textos exibidos na tela (saiba mais sobre a tecnologia e-ink), o Kindle revela-se uma aparelho perfeito para longas leituras. Sendo assim, se você é um leitor voraz, você precisa ter um Kindle. É bem verdade que o aparelho é caro (ainda mais se você importá-lo legalmente no site da Amazon). Para ele se pagar você precisa ler muito e aproveitar os descontos das versões online. Mas corra, algumas editoras querem aumentar os preços dos e-books, apesar dos protestos da Amazon.

Logo que recebi o Kindle, comprei uns livros e assinei revistas e jornais (a Amazon oferece 14 dias gratuitos). Além disso, baixei umas "amostras" de livros, disponíveis para se conhecer um pouco da obra antes de comprá-la. O processo de compra e assinatura de periódicos é rápido e fácil. Os arquivos digitais são rapidamente baixados via rede de celular (cujos custos são pagos pela própria Amazon).

Enquanto a leitura de livros só merece elogios, a assinatura de revistas e jornais é um caso à parte. As edições dos jornais O Globo e New York Times (que estou pagando pela assinatura), assim como as do jornal Zero Hora e revistas Time e PC Magazine que testei, trazem uma ou outra imagem em preto e branco. Ou seja, elas são constituídas basicamente de texto. É como você estivesse recebendo apenas metade das informações.

As edições dos jornais normalmente chegam cedinho. Confesso que é bom ler bons colunistas sem ter de abrir enormes folhas de papel jornal. Esse tipo de interface digital adequa-se muito bem à leitura na mesa do café, em aviões e ônibus. Além disso, é ótimo para ler deitado na rede! Por outro lado, a navegação pelos periódicos usando os botões e o pequeno joystick do Kindle é mais trabalhosa. Seria muito bom ter uma tela sensível ao toque (como este leitor da Sony). Mesmo assim, por enquanto vou mantendo minha assinatura digital do Globo. Espero que a Folha lance sua versão para Kindle em breve. Em todo caso, a falta de imagens é um fator que decepciona este blogueiro que insiste em pagar por conteúdo(!). Quanto a isso, algumas reflexões.
Por que assinar o New York Times se é possível lê-lo gratuitamente na web? Apenas pela comodidade de lê-lo no Kindle. Mesmo assim, o alto preço não compensa. Neste mês já estou cancelando minha assinatura daquele prestigioso jornal. Quem sabe eu volte a assiná-lo no ano que vem, quando seu conteúdo gratuito será podado na web. E talvez eu continue assinando algum grande jornal brasileiro (os jornais gaúchos são dureza!), para poder ler bons colunistas assim que acordo. De toda forma, tenho consciência que o Kindle é para livros, não para periódicos.

É aí que entro no tema que dá título ao post (apenas agora?!!!). A tela multi-touch do iPad, suas cores vibrantes e a excelente usabilidade serão excelentes para a navegação pelo conteúdo fragmentário de jornais online e para a leitura de revistas muito ilustradas. O Kindle não poderá concorrer. Talvez uma versão nova com a esperada tela e-ink colorida sensível ao toque possa ser tentadora. Mas não acredito que a Amazon consiga vencer nesse terreno.

Por outro lado, o Kindle ainda é imbatível no mercado de livros digitais, que exigem horas de leitura. Ainda que a Amazon esteja testando um browser para o Kindle, a navegação em puro texto em preto e branco é risível. Apesar da ameaça que a Apple representa, a Amazon precisa investir naquilo que ela faz bem: vender livros e oferecer um excelente leitor de e-books. Talvez o iPad não seja o mesmo sucesso que o iPhone. Talvez esse terceiro dispositivo, que situa-se entre um netbook e um iPod Touch, não consiga convencer os consumidores que eles precisam de mais um aparato em suas mochilhas. A única certeza que temos é que a briga será boa.
Em resumo: estou muito satisfeito com meu Kindle. Não acredito que o iPad e a iTunes Store consigam vencer a Amazon na área de livros. Por outro lado, o Kindle vai parecer muito, muito velho para a leitura de periódicos. Será que existe espaço para dois vencedores? A Amazon está arriscando muito em tecnologia, onde a Apple é rainha, botando sua loja de livros em perigo? Será que o iPad será uma promessa que não vai convencer? Os consumidores que viverem verão.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Sons e cheiros



Impressionante como é a capacidade de funcionamento do cérebro humano. Além da memória, raciocínio lógico etc etc., a capacidade de recuperar trechos da sua vida, que você nem lembrava mais conscientemente é impressionante.
O som e o cheiro são alguns dos gatilhos mais rápidos para isso.

Quem nunca sentiu um perfume, um aroma de comida e imediatamente após a cena da infância, esquecida lá no fundo do nosso cérebro, vem a tona.

Como sou aficcionado por música, são várias que têm a capacidade de me remeter a um passado que achava que nem me lembrava mais. Escutando algumas (Pain lies on the riverside é ótima para isso...rs), parece que entro em uma verdadeira máquina do tempo e assisto novamente aquela cena.

Cada vez mais me impressiono com o cérebro humano. Por isso, sempre que ouço falar que em um futuro, as máquinas irão desempenhar o papel do homem, não acredito.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Caronas em excesso


Pouco se fala na grande mídia. Mas analise comigo: A final da Taça Guanabara foi disputada entre o time do Vasco e Botafogo. A renda divulgada foi de quase 67 mil pagantes e o público presente foi próximo de 81 mil pessoas.

Fazendo as contas mais simples, vemos que quase 14 mil pessoas entraram de carona no estádio para assistir ao jogo da final do primeiro turno do campeonato estadual do Rio.

Com os ingressos em um preço absurdamente altos para os padrões brasileiros (uma arquibancada chega a custar 50 reais e as cadeiras especiais não saem por menos de R$ 150), gostaria que a divulgação fosse mais transparente e um detalhamento de todo o pessoal que entra sem pagar nos jogos do Maracanã fosse divulgado com mais clareza.

terça-feira, 2 de março de 2010

Coluna da Rouge: Pin up ou poetisa sórdida?


Ao refletir sobre a fase dos vinte e poucos alguns anos na vida de uma mulher fiz uma comparação à poesia.
Por que a poesia? Reflito em Carlos Couto, no ensaio lançado publicado no livro "Sangue Novo na Anemia" da Confraria Terra dos Poetas, de 2004:"Concebo que poesia é uma espécie de idioma, uma linguagem da percepção íntima".
A mulher nessa fase pré balzaquiana ,não é apenas uma Pin up. Sabe usar seu lado sexy com maestria. Ela não tira conclusões,aprendeu a fazer suposições. Tal como um poeta sórdido, em que a marca suja da vida vem a ser a sua poesia.Descubro que esse momento não é da velhice,mas da experiência.
Viva a chegada das primeiras linhas de expressão,estrias e celulites!Aviões possuem pneus ,não é mesmo?
E se agora é o tempo de qualidade, liberdade e auto-conhecimento,onde estará a poesia?
Na diferença!
Entre apenas ser ou se “ fazer” uma poesia.

Abraços!

Rouge Cerise

segunda-feira, 1 de março de 2010

2012 e a Arquidiocese do Rio



O filme 2012, dirigido por Roland Emerich (clique aqui para saber mais sobre o filme), foi sucesso de bilheteria pelo mundo afora.
Contando a história das previsões maias e do fim do mundo em dezembro de 2012, o filme impressionou pelas cenas de destruição do planeta Terra. Vários pontos mundiais famosos foram vistos sendo destruídos pelas técnicas infalíveis dos efeitos especiais.

No entanto, parece que a Arquidiocese do Rio de Janeiro não gostou muito do que viu nas telas de cinema. Semana passada entraram na justiça contra a produtora do filme, exigindo uma reparação por uso indevido de imagem, uma vez que a estátua do Cristo Redentor foi mostrada sendo destruída pelos eventos do suposto final do mundo.

Agora, exigem uma reparação financeira. Os religiosos afirmam que foram procurados na época, não liberaram a utilização da imagem no cinema, mas mesmo assim, os produtores do filme insistiram e colocaram as imagens sem autorização prévia.

Na minha modesta opinião, a Igreja deveria se preocupar mais com seus trabalhos assistencialistas e com o cotidiano da tão maltratada cidade do Rio de Janeiro e deixar assuntos menores como esse, de lado. Além do mais, a publicidade para a cidade do Rio foi mundial e gratuita.

E vocês, caros Argonautas? O que acham da polêmica?